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Alita, uma robô com alma

Adaptação de um mangá, Alita é a história de um ciborgue com alma humana, em busca de seu passado

Divulgação/Fox Studio

Já faz um tempo desde que o diretor Robert Rodriguez nos encheu os olhos com espetáculos visuais como seu filme “Sin City”. Após cinco anos de jejum em termos de bons filmes, o cineasta está mostrando sinais de vida novamente. Alita é seu melhor filme, um épico de ficção científica que faz algo raro numa era de adaptações infinitas: faz jus ao seu potencial, deixando aquele gosto de “quero mais”.

Uma adaptação do mangá de Yukito Kishiro, o filme se passa 300 anos após “a queda” – um desses genéricos apocalipses de ficção científica que garantem a grande revelação no final.

Alita é o tipo de filme cujas histórias de fundo se entrelaçam tanto que levam tempo para serem devidamente explicadas, mas a direção segura de Rodriguez faz bem em manter a sua exposição ao mínimo.

Como um cruzamento feminino de Pinóquio e o monstro de Frankenstein, tudo atualizado para a era espacial, Alita é descoberta num ferro-velho pelo Dr. Ido, um cirurgião cibernético com um fraco por criaturas inocentes cujos corpos – biológicos ou mecânicos – falharam. Ao ser encontrada, Alita não consegue dizer quem é ou de onde veio, após ser trazida de volta à vida (ou ser posta online, como queira). O que ela rapidamente percebe, porém, é que ela tem o poder de aniquilar qualquer um que cruze seu caminho.

Essa é uma habilidade útil para se ter na Cidade de Ferro, uma quase distopia que vive sob a longa sombra projetada pela cidade aérea chamada Zalum. Os “proletários” desse futuro distópico são mantidos em terra, na superpovoada metrópole, nunca podendo ascender ao suposto paraíso acima deles – a menos que você seja o último campeão de um esporte absurdamente perigoso, um tal de motorball.

Alita então se põe na lista lista de competidores, que usam mecanismos aprimorados para matar os adversários e se sagrarem vencedores. Com suas vitórias nessa arena, Alita tem a chance de conhecer seu criador, e desvendar o mistério de sua origem, e este filme.

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Sempre voltando atrás

O governo de Bolsonaro parece ter predileção em dizer ou propor alguma galhofice, e e se “não colar”, se volta atrás

A semana nos brindou com mais uma patetice feita pela equipe do presidente Jair Bolsonaro. O pateta da vez foi o atual ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que, ao enviar uma nefasta determinação, exigindo que o hino nacional brasileiro fosse tocado nas escolas, tanto públicas quanto privadas, de maneira obrigatória, e ainda requeria que uma carta, direcionada aos alunos, com vagas e inúteis palavras “patrióticas“ fosse lida antes da execução do Hino.

Foi demandado, inclusive, que os diretores e professores filmassem os alunos cantando o hino, o que por si só já é um absurdo – só se pode filmar ou fotografar uma criança com expressa autorização dos pais ou responsáveis. E para colocar a cereja no bolo, esta carta sim encerrava com o mote de campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”.

Nem bem a carta foi recebida por diretores de escola, secretários estaduais e autoridades da área de educação, e a resposta foi fulminante: a proposta, além de ridícula e patrioteira, é ilegal. Configuraria, inclusive, crime potencial de improbidade administrativa. Era tão óbvio isso que até o vice-presidente, Mourão, comentou a um jornalista que o pedido do ministro era ilegal.

Mas é claro que o brilhante ministro da Educação, que nem brasileiro nato é, não sabia disso. E daí veio o ato de retroceder. O que era uma ordem virou uma “sugestão”, a carta os alunos foi esquecida e o mote do presidente, tirado em definitivo da proposta.

Visivelmente, o governo Bolsonaro flerta com uma visão do tipo “se colar, colou” junto à opinião pública

Este recurso do ministro – o de retroceder quando a imbecilidade fica evidente na sociedade – foi apenas mais um de Bolsonaro e companhia.
De fato, este governo está pródigo em retroceder, após alguma ideia estapafúrdia ser jogada no meio político ou na imprensa. Já vimos uma Secretária de Direitos Humanos se enrolar toda com aquela patacoada de “menino usa azul e menina usa rosa”.

Tivemos também o constrangedor tuíte de Carlos Bolsonaro, que fingiu obedecer ao “papai” no que tange a rosnar contra ministros de estado.
O próprio Bolsonaro já se mostra hesitante quanto as propostas de reforma da previdência que seu governo mesmo está negociando no Congresso. Será que vem aí mais um gesto que indique uma vontade grande de retroceder?

Afinal é fácil ser popular, bancando o meme vivo, mas negociar um pacote de medidas francamente impopular como o da reforma da Previdência, isso já é outra história. Apenas o tempo dirá.

O que fica claro é que o Brasil está na mão de amadores, tanto em termos de política, quanto em termos de administração pública. Coitado deste país.

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Nozes, as aliadas da dieta

Quando a “sabedoria popular” não condiz com a verdade – nozes fazem muito bem à saúde

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Desde pequenos ouvimos que nozes engordam; que é preciso comer pouco (ou nada) delas, senão o risco para sua saúde pode ser grande; e mais coisas do gênero. Mas o fato é que as nozes são uma categoria de alimentos que ganhou má fama mais por conta do disse-me-disse de gente que acha que sabe do que está falando, do que por seu teor nutritivo e valor alimentar efetivo. É hora de desmistificar as nozes, e é isso que me proponho a fazer neste meu texto de hoje.

Existem certos alimentos em que temos, de fato, um certa dualidade em relação à sua eventual adequação a dietas emagrecedoras. Quando falamos desses tipos de alimentos, é comum ouvir comentários que levam em conta apenas um lado da coisa, não levando em consideração o que a ciência nutricional mais moderna tem a dizer. Para citar alguns exemplos, temos o ovo (cuja polêmica, se “´faz bem” ou “não faz bem” à dieta vou tratar num texto futuro), o leite (já devidamente analisado, em detalhes, na semana passada), e as nozes, sobre as quais tratarei hoje neste texto de minha coluna aqui no Pátria Paulista.

Respondendo logo de sopetão – nozes engordam, afinal? Não, nozes não engordam. Isso de nozes serem super-calóricas é um mito nutricional, algo que não deve ser mais levado em conta por aqueles que queiram fazer uma dieta saudável.

Neste mundo tão antigordura e anticalórico em que vivemos atualmente, as nozes carregam um estigma que dificilmente pode-se relevar. A gente deve reconhecer, porém, que as nozes pertencem a uma gama de produtos que fornecem uma quantidade significativa de lipídios e, portanto, sua ingestão calórica relativamente alta em comparação com outros produtos.
Essa informação gera a desconfiança de boa parte das pessoas que quer emagrecer (e que odeia as gorduras e as calorias a mais).

Uma caloria não é uma caloria

O que é preciso atentar é que, à vezes, ” uma caloria não é uma caloria”, ou seja, que um alto teor de gordura – como têm as nozes – não é sinônimo de maior probabilidade de ganhar peso. Em qualquer caso e antes de começar a enumerar a enorme quantidade de estudos que sustentam essa perspectiva, é necessário definir o que estou chamando de nozes. Quando falo de “nozes”, estou me referindo a sementes secas e naturais de amêndoas, nozes, avelãs, castanha de caju, pistache, pinhão, castanha do Pará, amendoim e assim por diante. E geralmente também se refere ao consumo de frutas secas (passas, figos, ameixas, damascos secos, tâmaras, etc.). Por nozes também quero deixar claro que não estou me referindo a versões saldadas, fritas ou cobertas com caramelo e açúcares artificiais, mas sim às sementes em seu estado natural.

Estudos defendem as nozes

Num interessante estudo internacional, mais de 50 mil mulheres, entre 25 e 45 anos de idade, tiveram suas variações de peso anotadas e acompanhadas por mais de 8 anos, com especial atenção ao seu consumo de nozes. O que se observou com a pesquisa é que um maior consumo desse alimento foi associado a um menor risco de aumento de peso e que, longe de ser vistas com suspeita, as nozes poderiam ser consideradas mais como uma ferramenta para o controle de problemas de peso do que como um perigo. A conclusão desse estudo foi que um maior consumo de nozes foi associado a um menor ganho de peso após estes 8 anos, bem como um risco menor de sobrepeso ou obesidade. Ou seja, aqueles que mais consumiam nozes em sua dieta habitual apresentaram menor prevalência de obesidade em comparação com aqueles que os consumiam com menor frequência.

Existem inúmeros estudos com resultados semelhantes que mostraram claramente que consumo de nozes não foi associado a um aumento do risco de ganho de peso em estudos epidemiológicos de longo prazo ou em ensaios clínicos.

É lógico imaginar que o consumo de algo como nozes, que têm muitos lipídios e, portanto, muitas calorias, esteja relacionado ao risco da obesidade. Faz sentido. Mas o ponto é que as nozes contribuem para uma sensação de saciedade. Isto quer dizer que a comer uma pequena quantidade de nozes, você não sente mais fome.

Ajudando a flora intestinal

Mas há outro efeito, mais interessante, das nozes no nosso organismo: elas promovem o crescimento de cepas bacterianas que dentro de nossa flora intestinal têm um papel proeminente no controle de problemas de peso.
No fim das contas, nozes são extremamente saudáveis, e são grandes aliadas de sua dieta, por conta de sua riqueza em fibras solúveis a partir das quais se revela o seu efeito junto à sua flora intestinal.

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Sobre o Autor

Mayara Lima

Mayara Lima

Mayara Lima é designer de moda, escritora amadora e repórter para assuntos culturais. Cinéfila, escreve sobre cinema, espetáculos e teatro para o Pátria Paulista

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