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Europa

Brexit pode ocorrer sem renegociação de acordo

A União Europeia (UE) não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May

Da Redação, em 29 de maio de 2019
EBC

A União Europeia (UE) não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, nessa terça-feira (28), enquanto crescem os temores de que o sucessor de May possa iniciar um confronto com o bloco. O Brexit está completamente indefinido depois que May anunciou sua renúncia, provocando uma disputa de liderança no Partido Conservador, que poderá levar ao poder um novo primeiro-ministro que busque uma ruptura mais decisiva com a UE.

Um dos candidatos, o secretário de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, disse que buscar um Brexit sem acordo seria um “suicídio político”, uma reprimenda ao favorito, Boris Johnson, que disse na semana passada que o Reino Unido deveria deixar a UE com ou sem acordo até o fim de outubro. Hunt, que votou para permanecer na UE no referendo de 2016 mas agora aceita o Brexit, disse que tentaria buscar um novo acordo que tiraria o Reino Unido da união alfandegária com a Europa, “respeitando preocupações legítimas” sobre a fronteira com a Irlanda. A UE, no entanto, afirmou que não haverá renegociação.

“Terei uma reunião breve com Theresa May, mas sou claro: não haverá renegociação”, observou Juncker antes de um encontro de líderes da UE em Bruxelas. O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse acreditar que o risco de o Reino Unido sair do bloco sem um acordo de divórcio está crescendo. “Bem, há um risco crescente de não acordo. Há possibilidade de que o novo primeiro-ministro possa vir a repudiar o acordo de retirada”, afirmou a jornalistas.

Qualquer que seja o sucessor de May, ele terá de aceitar que o acordo de divórcio do Brexit acertado por ela não será ratificado pelo atual Parlamento britânico. Além disso, uma solução para a questão da fronteira com a Irlanda, que incomoda a muitos parlamentares, deve ser encontrada. Muitos apoiadores do Brexit rejeitaram o acordo de May por causa do mecanismo “backstop“, que requer que o Reino Unido adote algumas das regras da UE indefinidamente, a não ser que um futuro acordo seja atingido para manter aberta a fronteira terrestre entre Irlanda do Norte e Irlanda.

Sob as leis em vigência atualmente, o Reino Unido deixará a União Europeia automaticamente no dia 31 de outubro mesmo sem acordo, a não ser que o Parlamento aprove algum antes disso, a UE ofereça uma extensão do prazo, ou o governo revogue sua decisão de deixar o bloco.

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Europa

Governo alemão alerta judeus contra uso do quipá

Ataques antissemitas aumentaram consideravelmente em todo o país, deixando a população em alerta

Da Redação, em 27 de maio de 2019
Reprodução

O comissário do governo alemão para o combate ao antissemitismo aconselhou judeus a não usar o quipá (peça do vestuário judeu) em público, devido a um recente aumento de ataques antissemitas no país. “Não posso recomendar aos judeus que usem o quipá todo o tempo e em qualquer lugar na Alemanha. Infelizmente preciso dizer isso”, afirmou o comissário, Felix Klein, em entrevista ao grupo de mídia Funke.

Klein afirmou que sua opinião sobre o assunto mudou devido a “uma crescente desinibição social e brutalização” na sociedade, que fizeram com que o antissemitismo aumentasse. “A internet e as redes sociais contribuíram fortemente para isso, mas também os constantes ataques contra a nossa cultura da memória”, afirmou.

O comissário sugeriu que policiais e funcionários públicos sejam treinados para lidar com o problema. Klein afirmou que há uma definição clara do que é antissemitismo e que esta deve ser ensinada em academias policiais, assim como a professores e juristas. De acordo com dados do Ministério do Interior, crimes antissemitas aumentaram quase 20% na Alemanha em 2018 em relação ao ano interior, com 1.799 ocorrências.

Klein destacou que 90% dos casos foram praticados por indivíduos que apoiam grupos de extrema direita. Após as declarações de Klein, representantes da comunidade judaica na Alemanha exigiram que o Estado garanta aos judeus uma vida sem medo. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, se disse “profundamente chocado” com a recomendação do comissário alemão.

“A responsabilidade pelo bem-estar, a liberdade e o direito ao exercício da religião por qualquer membro da comunidade judaica está nas mãos do governo alemão e de seus órgão para aplicação da lei”, afirmou. “Temores quando à segurança de judeus alemães são uma capitulação perante o antissemitismo e um reconhecimento de que os judeus novamente não estão seguros em solo alemão”, acrescentou. O presidente israelense disse que nunca se deve capitular perante o antissemitismo.

Neste domingo (26), o presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Josef Schuster, denunciou um aumento das ameaças antissemitas no país, reforçando o alerta de Klein. “Há muito tempo é fato que, em grandes cidades, judeus estão potencialmente expostos a riscos, se forem identificados como judeus”, afirmou. “Eu não tendo a dramatizar, mas, no geral, a situação realmente piorou.”

Segundo Schuster, o debate desencadeado por Klein é bem-vindo, pois “está na hora” de toda a sociedade alemã combater o antissemitismo. A ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, manifestou preocupação com a situação. “Os atos violentos cada vez mais frequentes contra judias e judeus são vergonhosos para o nosso país”, disse ao jornal Handelsblatt.

A ministra afirmou que movimentos de direita atacam a democracia na Alemanha e têm como alvo a convivência pacífica no país. Klein, cujo posto de comissário para o antissemitismo foi criado no ano passado, ressaltou que políticos e a sociedade precisam reconhecer os problemas que ele apontou e que o combate ao antissemitismo deve ser tarefa de todos.

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Europa

União Europeia terá parlamento mais populista

A direita eurocética e anti-imigração e os ambientalistas foram os que mais ganharam espaço neste último domingo de eleições

Da Redação, em 27 de maio de 2019
EBC

As eleições mais disputadas para o Parlamento Europeu em décadas chegaram ao fim neste domingo (26) com a direita eurocética e anti-imigração e os ambientalistas ganhando espaço sobre partidos tradicionais que costumavam formar o centro político do bloco. Ao longo de quatro dias de votação, eleitores foram às urnas nos 28 países da União Europeia (UE), numa participação estimada em 51% – excluídos aqui os eleitores do Reino Unido –, a mais alta dos últimos 20 anos. Ao todo, 426 milhões de pessoas foram convocadas a votar.

As eleições deste ano foram vistas como um teste da influência dos movimentos nacionalistas, populistas e de extrema direita, que ganharam força no continente nos últimos anos e influenciaram decisões importantes, como a saída do Reino Unido da União Europeia. O pleito ainda opôs, de um lado, os defensores de uma UE mais unida e, de outro, aqueles que consideram o bloco um corpo burocrático e intervencionista e defendem a restrição da imigração e que o poder retorne para as mãos dos governos nacionais.

Enquanto partidos pró-UE ainda devem ficar com uma fatia significativa do Legislativo sediado em Bruxelas e Estrasburgo – projeções apontam que eles ocupem cerca de dois terços das 751 cadeiras –, seus adversários tiveram ganhos significativos. Na França, projeções indicam que o partido ultradireitista e anti-imigração Reunião Nacional, de Marine Le Pen, despontou em primeiro lugar, em surpreendente revés para a legenda centrista do presidente Emmanuel Macron, que faz da integração da UE o mote de seu governo.

Derrotada por Macron na última eleição francesa, Le Pen afirmou que o resultado “confirma a nova divisão nacionalista e globalista” na França e em outros lugares do mundo. As projeções na Alemanha, o maior país da União Europeia, também mostram quedas drásticas para o partido da chanceler federal, Angela Merkel, e seu parceiro de coalizão de centro-esquerda, enquanto os verdes cresceram consideravelmente – tornando-se o segundo maior partido –, e os populistas de direita ganharam um pouco mais de força.

O ministro do Interior e vice-primeiro-ministro italiano, Matteo Salvini, figura importante entre os nacionalistas linha-dura e anti-imigração, disse ter sentido “uma mudança no ar” e adiantou que a vitória de seu partido – a ultradireitista Liga, projetada para se tornar a principal força da Itália – “mudaria tudo na Europa”.

Para o alemão Manfred Weber, candidato do Partido Popular Europeu (EPP), a maior bancada do Parlamento Europeu, estas eleições foram marcadas pelo enfraquecimento do centro político tradicional e, por isso, é “mais do que necessário que as forças que acreditam nesta Europa, que querem levar esta Europa a um bom futuro e que têm ambições para esta Europa” trabalhem unidas.

Mudança de ares

São muitos os fatores que podem ter contribuído para essa mudança de ares no continente. A Europa foi bastante afetada nos últimos anos pela crise migratória de países do Oriente Médio e da África, além de ataques mortais perpetrados por extremistas islâmicos. Também houve crescentes tensões em torno da desigualdade econômica e forte aversão ao establishment político – sentimentos não muito diferentes dos que levaram à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

O primeiro-ministro cada vez mais autoritário da Hungria, Viktor Orbán, um possível aliado do italiano Salvini, disse esperar que estas eleições tragam uma mudança favorável a partidos políticos contrários à imigração. Para ele, o tema será o responsável por “reorganizar o espectro político na União Europeia”.

Por outro lado, os defensores de uma UE mais unida, liderados pelo francês Macron, argumentam que questões como mudanças climáticas e imigração são muito amplas para qualquer país resolver sozinho. O presidente francês, cujo país foi abalado nos últimos meses pelo movimento populista dos coletes amarelos, descreveu as eleições deste ano como “as mais importantes desde 1979, porque a União Europeia enfrenta um risco existencial” por parte dos nacionalistas que buscam dividir o bloco.

Extrema direita

A ascensão dos populistas eurocéticos, contudo, não foi tendência em todos os países. O Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema direita, deve ficar em terceiro lugar no país depois de ser atingido por um escândalo de corrupção durante a campanha – o que levou ao colapso da coalizão de governo e à renúncia do vice-chanceler federal. Na Holanda, o Partido para a Liberdade (PVV), liderado pelo populista antieuro e antimigração Geert Wilders, deve perder todos os seus assentos no Parlamento Europeu enquanto as projeções apontam para uma vitória dos social-democratas.

Analistas duvidam da capacidade dos populistas de formarem uma coalizão efetiva – como almeja Salvini –, dadas as diferenças em questões-chave, como as relações com a Rússia.
Os populistas “alcançaram o mesmo tamanho de onda, talvez um pouco maior, do que em 2014, mas não há um tsunami”, disse Sebastien Maillard, diretor do instituto Jacques Delors. Ele prevê que os eurocéticos não serão capazes de “perturbar a vida democrática” no próximo parlamento.

A disposição das bancadas

O resultado destas eleições pode deixar as duas principais bancadas do Parlamento Europeu, o EPP e os Socialistas & Democratas (S&D), sem maioria, abrindo caminho para complicadas negociações para a formação de uma coalizão. Com isso, os verdes e os liberais da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE) devem se tornar forças decisivas.

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