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América

Congresso argentino discute sobre legalização do aborto

Milhares de pessoas voltaram às ruas em várias cidades argentinas usando lenços verdes em defesa da legalização do aborto

Da Redação, em 29 de maio de 2019

O movimento espera que a lei seja aprovada em breve pela Câmara dos Deputados em Buenos Aires. Por sete vezes, um projeto de lei semelhante foi apresentado ao Congresso – até agora sem resultado. A partir de hoje, a discussão entra na oitava rodada. Desde 1921, uma gravidez na Argentina só pode ser interrompida em decorrência de estupro ou se colocar em risco a vida da mulher. Durante anos, as tentativas de relaxar a legislação não tiveram sucesso.

Em 2005, teve início uma campanha conjunta de mais de 70 organizações que se engajam pelo aborto legal, seguro e gratuito. Após a sétima tentativa de aprovação no Congresso, o movimento já acreditava em seu objetivo: em junho de 2018, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto apresentado pelo movimento. Três meses depois, no entanto, a lei foi rejeitada pelo Senado, com maioria de apenas sete votos. Agora, um ano depois, o movimento está recomeçando – com uma lei ligeiramente modificada.

A forte resistência ao aborto na Argentina é liderada pela Igreja: 71% da população são católicos. Em outubro de 2018, o papa Francisco – que é argentino – deixou clara sua posição no debate: “É justo matar alguém para resolver um problema? É como contratar um assassino de aluguel.” As declarações do papa causaram polêmica não só na Argentina. e aumentaram ainda mais a divisão do país no debate sobre o aborto.

A rede Unidade Provida reúne mais de 150 organizações que se opõem ao aborto, para as quais a legalização completa da interrupção da gestação seria a institucionalização da violência contra as mulheres. “Em todo aborto não morre apenas uma criança inocente. Mas também se destrói uma mulher”, diz o movimento em declaração oficial. “O aborto é um fracasso social, e não uma resposta humana aos desafios da sociedade.”

Nesta quarta-feira, os adversários da lei querem protestar em várias cidades do país, usando lenços azuis, em resposta ao símbolo dos defensores. O projeto apresentado ao Congresso descriminaliza e legaliza o aborto nas primeiras 14 semanas de gestação e, além desse período, quando a vida ou saúde da mulher estiver em risco ou em casos de estupro.

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América

Trump inicia campanha de reeleição

O evento ocorre hoje, em Orlando, na Flórida

Da Redação, em 18 de junho de 2019

Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, lançar oficialmente sua campanha de reeleição em Orlando, na Flórida, na noite de hoje (18), diante de uma multidão de 20.000 pessoas, ele não será nem favorito nem candidato sem chance. Especialistas dizem que não é conclusiva a discussão se Trump continuará ou não seu trabalho no primeiro posto da nação norte-americana.

“Eu diria que talvez em 50/50”, disse Kyle Kondik, editor-gerente do Sabato’s Crystal Ball, um boletim político apartidário produzido na Universidade de Virginia Center for Politics. Mas, em um primeiro momento, essa avaliação parece otimista. Na verdade, o índice nacional de aprovação de Trump gira em torno de 40%. O único presidente desde 1945 que teve um índice de aprovação mais baixo nesta fase de seu primeiro mandato foi Jimmy Carter em 1977.

As classificações de aprovação nem sempre são os melhores indicadores do sucesso eleitoral. De acordo com a mesma análise feita por FiveThirtyEight, o Presidente George H.W. Bush estava sentado perto de 70 por cento neste momento em seu primeiro mandato, e mesmo assim viu-se derrotado pelo democrata Bill Clinton em 1992.

Para vencer, Trump precisa manter ou expandir sua base nos principais estados que ele conquistou em 2016. É uma tarefa difícil, mas há vários fatores importantes que podem levar Trump a uma segunda vitória, apesar de sua relativa impopularidade. A tarefa é poderosa, especialmente quando um presidente em exercício preside uma economia em um tempo de relativa paz. “Essas são as condições desafiadoras para um presidente em exercício que se propõe a vencer uma nova eleição”, disse Kondik.

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América

México reforça fronteira para evitar tarifas dos EUA

6 mil integrantes da Guarda Nacional foram para a fronteira com a Guatemala para conter fluxo de migrantes

Da Redação, em 07 de junho de 2019
Reprodução Twitter

O governo mexicano anunciou a mobilização de 6 mil integrantes da Guarda Nacional para a fronteira com a Guatemala, a fim de conter o fluxo de migrantes centro-americanos. A medida é uma tentativa de evitar a imposição de tarifas alfandegárias americanas. A decisão foi anunciada em Washington pelo ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, junta-se a outras medidas destinadas a aliviar as tensões com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump.

O líder americano acusa o México de tomar pouca ou nenhuma atitude para barrar migrantes da América Central que têm se movido em grandes grupos pelo país rumo aos EUA – Trump ameaçou retaliar com a imposição de tarifas alfandegárias a partir da próxima segunda-feira (10). As autoridades mexicanas já tinham ordenado, por exemplo, o bloqueio das contas bancárias de 26 pessoas suspeitas de envolvimento em tráfico de migrantes, além do regresso de cerca de 100 hondurenhos ao país de origem e a detenção de ativistas que defendem os direitos de migrantes.

Forças de segurança barraram nesta semana uma caravana de cerca de 1.200 migrantes, a maioria hondurenhos, que tinham acabado de entrar no México a partir da Guatemala. O vice-presidente americano, Mike Pence, afirmou que os EUA estão se sentindo “motivados” pelas mais recentes propostas apresentadas pelo México para controlar o fluxo migratório, mas que Washington mantém a intenção de aplicar tarifas alfandegárias a partir de segunda-feira “caso não sejam vistos os resultados que se pretendem”.

Sem um entendimento entre os dois governos, as primeiras taxas alfandegárias começam a ser aplicadas às importações provenientes do México no próximo dia 10, com o valor de 5%, podendo ser aumentadas até 25%. O ministro mexicano das Relações Exteriores está em Washington para tentar convencer a Casa Branca de desistir da ideia de impor as tarifas.

Autoridades mexicanas e americanas estiveram reunidas na quarta-feira (5) para debater as questões migratórias na fronteira entre os dois países e ainda as taxas que poderão ser impostas a todos os produtos mexicanos nos Estados Unidos. Apesar de os dois lados afirmarem que houve avanços nas negociações ocorridas na Casa Branca, Trump reiterou que ainda há “muito progresso” a ser feito para suspender as taxações previstas sobre os produtos mexicanos.

Trump renovou sua ameaça ao publicar no Twitter, durante viagem pela Europa, que as negociações em Washington continuariam “com o entendimento de que, se nenhum acordo for alcançado, as tarifas de 5% começarão na segunda-feira, com aumentos mensais conforme o cronograma” já definido. “Estamos tendo uma ótima conversa com o México”, disse o presidente. “Vamos ver o que acontece. Mas algo muito dramático pode ocorrer. Dissemos ao México que as tarifas continuariam. E estou falando sério também. E estou muito feliz com isso.”

México

O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, defendeu que seja mantida a “amizade” com o povo americano, mas anunciou que visitará neste sábado a fronteira com os Estados Unidos a fim de “defender a dignidade” de seu país.

“Esta viagem à cidade fronteiriça de Tijuana visa a defender a dignidade do México”, disse Obrador em entrevista ontem. “Estamos analisando todas as opções [diante das ameaças americanas], mas a nossa posição é manter, acima de tudo, a amizade com o povo dos Estados Unidos.”

Segundo o governo mexicano, 300 mil migrantes já chegaram ao país a partir da Guatemala somente neste ano, e as autoridades detiveram 51 mil deles – isso representa um aumento de 17% em relação ao mesmo período de 2018. A fronteira do México com o país vizinho ao sul tem 1.138 quilômetros, sendo grande parte de campos abertos e selva. O Departamento de Segurança Interna dos EUA, por sua vez, comunicou que a quantidade de pessoas detidas na fronteira entre o país e o México subiu, em maio, para o número mais alto em uma década: 132.887 pessoas. Desse total, 11.507 eram crianças que viajavam desacompanhadas.

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