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Medicina

Estudo paulista faz descoberta sobre diabetes

Pesquisadores da Unicamp constataram que exercícios de força controlam diabetes em obesos

Da Redação, em 26 de abril de 2019
Reprodução/Internet

Exercícios de força, como a musculação, reduzem a gordura acumulada no fígado e melhoram o controle da glicemia em pessoas obesas e diabéticas mesmo em um curto período de atividade física. O estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostra que os ganhos com a prática de exercícios ocorre antes da perda de peso. Os resultados da pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foram publicados no periódico Journal of Endocrinology.

Pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular do Exercício (LaBMEx) fizeram experimentos com camundongos. Os animais foram submetidos a treinos de força moderado durante 15 dias e, depois desse período, foi possível constatar uma melhora na “queima” dos lipídeos, o que contribui para o tratamento da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), popularmente conhecida como gordura no fígado.

“Muitos estudos sobre exercícios aeróbios submetem os animais ou os humanos a um período significativo de exercício físico. Consequentemente a esse protocolo de exercícios ocorre a redução do peso corporal, então uma pergunta emerge: o que melhorou o fígado? Foi o exercício físico ou foi porque ele reduziu tecido adiposo?”, dissed Leandro Pereira de Moura, professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp e coordenador da pesquisa.

Moura disse que esse estudo avançou no entendimento da influência direta do exercício físico no fígado, especificamente relacionado ao acúmulo de gordura. Ele explica que em situações de repouso o fígado é o principal órgão responsável para fazer glicose e, quando o corpo volta a consumir fontes de energia, como o carboidrato, o pâncreas envia uma comunicação ao fígado, por meio da insulina, de que não é mais necessário produzir glicose.

“Quando o indivíduo é obeso, ele se torna diabético porque esse tecido adiposo em excesso [no fígado] libera algumas substâncias chamadas de adipocina que vão até o fígado e reduzem essa comunicação do hormônio insulina com o fígado”, explicou. Dessa forma, o fígado responde menos à insulina e, por mais que ele ingira carboidrato, o fígado continua produzindo glicose. “É por isso que ele fica hiperglicêmico”.

Experimento

Os experimentos com camundongos foram feitos com três grupos: um de controle que recebeu ração padrão (com 4% de gordura) e permaneceu magro e sedentário; um grupo alimentado com dieta hiperlipídica (35% de gordura) durante 14 semanas, ficando obeso e diabético e permanecendo sedentário; e um terceiro grupo recebeu a dieta hiperlipídica e, quando estava obeso e diabético, foi submetido a um protocolo de exercício de força moderado ao longo de 15 dias.

O treino consistia em subir uma escada com uma carga presa na cauda do animal. Diariamente, foram feitas 20 séries, com intervalo de 90 segundos entre elas, simulando um treino de musculação para humanos. Os pesquisadores observaram que os camundongos do grupo treinado ainda estavam obesos no final do protocolo, mas tinham valores normais de glicemia em jejum. Já os obesos sedentários permaneceram diabéticos até o término do experimento.

Ao analisar o fígado das cobaias, eles notaram uma redução de 25% a 30% da gordura local no grupo treinado em comparação com os obesos sedentários. Em relação aos animais do grupo de controle, que permaneceram magros e sedentários, o índice de gordura hepática dos animais obesos e que fizeram o treinamento ainda era cerca de 150% maior.

Próximos passos

Moura diz que este é um estudo inicial do grupo de pesquisa que revela os efeitos dos exercícios com força diretamente no fígado. Tal descoberta se insere em um campo da ciência chamado de exercinas. “São substâncias secretadas pelo exercício. A partir do momento que a gente entende que o exercício físico controlado faz bem, mais adiante a gente consegue entender o que esse exercício consegue modular no nosso organismo”, explicou.

Com esse conhecimento será possível estimar substâncias estimuladas a partir do exercício. “Elevação de determinado hormônio, redução de determinada proteína e a gente consegue dar um passo adiante para tentar tratar indivíduos com essas substâncias derivadas do exercício físico”, explicou. 

O pesquisador alerta, no entanto, que não se trata de descartar as atividades físicas. “Não é que a pessoa vai poder parar de fazer exercício e tomar uma cápsula. A tentativa é de encontrar meios auxiliares para ajudar nesse tratamento da obesidade e diabetes”.

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Medicina

SP investe na construção de novo centro de hemodiálise

Recursos repassados à Secretaria da Saúde foram recuperados pelo Ministério Público em ações de combate à corrupção

Da Redação, em 19 de junho de 2019

A Secretaria de Estado da Saúde repassará R$ 2 milhões para a construção de um novo centro de hemodiálise na Santa Casa de Misericórdia de Dracena, no interior paulista. Os recursos foram doados à pasta no âmbito de acordos de colaboração premiada assinados entre investigados e o Ministério Público (MP) de São Paulo, por intermédio do Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec).

Vale destacar que o novo setor terá mais de mil metros quadrados e poderá atender 150 pacientes mensalmente, o que representa aumento de 36% em relação à capacidade de atendimento do setor (atualmente, de 110 pacientes por mês). O convênio foi publicado em Diário Oficial no dia 12 de junho. O acordo terá vigência até dezembro de 2020 e será pago em 18 parcelas, mediante a medição das obras, que serão executadas pela própria entidade.

Ampliação

Na região, o tratamento de hemodiálise também é ofertado pela Santa Casa e o Hospital Regional de Presidente Prudente. Juntas, as três entidades atendem 450 pacientes por mês. Com a ampliação do setor da Santa Casa de Dracena, a capacidade regional de atendimento a dialíticos aumentará cerca 9%.

“Esta iniciativa do Ministério Público permitirá uma importante ampliação no acesso à hemodiálise para pacientes de Dracena e região de Presidente Prudente”, ressalta o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira.

“O combate à corrupção é dever de todos e o MP tem papel de destaque nesse sentido. Esse recurso agora será revertido para fortalecer o Sistema Único de Saúde e melhorar a qualidade de vida dos pacientes em tratamento renal”, completa.

“A corrupção drena recursos necessários ao atendimento dos direitos sociais inscritos na Constituição Federal. Graças ao trabalho dos promotores de Justiça do Gedec, estamos devolvendo, com a ajuda da Secretaria da Saúde e da Santa Casa de Dracena, a quem de fato pertence: a sociedade”, declara o procurador-geral de Justiça, Gianpolo Smanio.

Unidades

O Governo do Estado mantém, na região, unidades próprias como os hospitais Estadual e Regional de Presidente Prudente, Estadual de Porto Primavera, bem como os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) de Dracena e Presidente Prudente.

Além disso, para fortalecer a assistência regional, a pasta investe e custeia unidades conveniadas ao SUS. Desde 2018, a secretaria destinou, por meio de convênios, R$ 49,7 milhões em auxílios financeiros voluntários a hospitais filantrópicos e Santas Casas da região de Prudente. Somente para a Santa Casa de Dracena, os repasses foram superiores a R$ 2,7 milhões, no período, somando investimentos e custeio.

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Medicina

Vacina contra chikungunya já testada em humanos

Os testes realizados atualmente buscam uma dosagem eficiente para a imunização sem apresentar efeitos adversos

Da Redação, em 13 de maio de 2019
Divulgação

Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, já realizam testes em humanos para obter uma vacina segura e eficaz contra a chikungunya. O estudo foi apresentado no Rio de Janeiro, pelo infectologista mexicano Arturo Reyes-Sandoval, no Simpósio Desafios e Oportunidades na Pesquisa Clínica em Chikungunya: Produzindo Evidências para Saúde Pública.

A vacina contra o vírus da chikungunya já está em testes em 24 voluntários no Reino Unido e deve passar por uma nova rodada de testagens ao longo do ano que vem, com entre 120 e 150 pessoas no México. Arturo conta que os testes realizados atualmente buscam uma dosagem eficiente para a imunização, que já demonstrou não apresentar efeitos adversos. O estudo no México deve avaliar também a possibilidade de uma vacina que combine a imunização da chikungunya e da zika de forma segura. Caso a pesquisa caminhe no melhor dos cenários, estima, uma vacina contra a doença pode estar disponível em cinco anos.

O pesquisador afirma que, ao contrário de outros vírus, o da chikungunya tem uma capacidade limitada de mutação, o que permitiu que os pesquisadores mapeassem todas as suas formas registradas e criassem uma vacina com base em uma sequência genética que abrange todas e permitisse precaver futuras mutações.

“Estarmos um passo à frente do vírus”, comemora Arturo. Ele afirma que o principal entrave para os avanços no combate à doença eram a falta de conhecimento e de financiamento para as pesquisas. “Historicamente, a grande dificuldade foi a falta de interesse. Agora, a chikungunyua está em muitas partes do mundo e está chegando à Europa. Isso favorece o financiamento.”

A presença do vírus no Brasil e a capacidade de instituições como o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz fazem com que o país seja um importante parceiro para o futuro das pesquisas desenvolvidas em Oxford, aponta Arturo Reyes-Sandoval. “Depois de testarmos no México, considero que o país mais importante para finalizar esse desenvolvimento é o Brasil. O Brasil tem capacidade econômica e instituições fortes para poder produzir a vacina.”

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