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G20, o clube dos influentes

Grupo reúne 85% do produto global e dois terços da população mundial

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Os países que integram o chamado G20 – que reúne as 19 maiores economias do mundo e mais a União Europeia – são responsáveis por 85% do produto bruto global, incluem dois terços da população mundial e 75% do comércio internacional, além de um pouco mais de 80% dos investimentos globais para o desenvolvimento de pesquisas.

O G20 é considerado um dos fóruns mais importantes no que diz respeito à discussão de questões relacionadas à economia e às crises globais. Criado em 1999 em meio às repercussões da crise financeira asiática, o grupo reúne Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, África do Sul, Turquia e União Europeia.

Desafios

Durante as reuniões, os principais desafios do mundo são discutidos e as principais políticas são coordenadas em nível global. Nos últimos anos, uma das principais realizações do G20 envolveu a inclusão de países emergentes em questões globais.

De acordo com especialistas, o G20 avançou na busca consenso para realizar reformas nas instituições financeiras internacionais e acompanhamento de instituições nacionais financeiras, melhoria na regulação econômica e a criação de redes de segurança para prevenção de eventuais problemas. Com o início da crise financeira global de 2008, o G20 tornou-se o principal instrumento para enfrentar o fracasso, e os presidentes e chefes de estado dos países-membros começaram a assumir um papel fundamental.

Na área comercial, norte-americanos e chineses travam uma guerra desde julho, após a imposição mútua de sobretaxas bilionárias. Iniciada por Donald Trump, a imposição de tarifas a produtos chineses atingiu em cheio as exportações comandadas por Xi Jinping.

Já no campo da diplomacia, às vésperas da Cúpula do G20, a organização não governamental Human Rights Watch pediu à Justiça Argentina para investigar o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, que estará em Buenos Aires, sobre possíveis crimes contra a humanidade no Iêmen, além do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

A cúpula do G20 também colocará lado a lado líderes que enfrentam questões migratórias. Desde outubro, milhares de migrantes centro-americanos seguem em caravanas a pé rumo aos Estados Unidos, que determinaram uma série de medidas para impedir a entrada deles no país, a partir da fronteira com o México. Além de Trump, o presidente do México, Enrique Peña Nieto, também estará na Argentina.

Participantes

Além dos países-membros e convidados especiais, as principais organizações regionais, como a Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) e a União Africana, a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (Nepad) e a Comunidade do Caribe participam das cúpulas (Caricom).

Há, ainda, organizações multilaterais, como o Banco Mundial, o Conselho de Estabilidade Financeira (FSB), o Fundo Monetário Internacional (FMI), as Nações Unidas, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e Organização Mundial do Comércio (OMC).

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Brasil acima de tudo, mesmo?

Bolsonaro e seu governo se mostram desastrosos para o Brasil, apesar de sua retórica pseudo-nacionalista

Divulgação/Euronews

Quem estamos enganando, afinal? Nós, paulistas, vivemos em um dos momentos mais incertos da triste história brasileira e, ao invés de aproveitarmos para pensar em melhorar as coisas para São Paulo, fazermos parte de todo o processo brasileiro – ora apoiando Bolsonaro, um deputado do Rio de Janeiro eleito para o cargo de presidente do Brasil, ora nos colocamos de fora, como que rindo em deboche ou menosprezando os acontecimentos, lançando mão do já tristemente comum “É melhor ir embora do país”.

O problema é que os brasileiros têm uma herança amarga que lhes foi transmitida durante os ciclos do tempo, e que muito lhes influencia neste século. Trata-se de um povo que aceita as situações em prol da cordialidade vira-lata, ou seja, eles não se manifestam ou exigem, nem defendem o interesse do bem comum; eles têm medo ou descrença naquilo que acreditam como certo, quiçá pelo fato de estarem como que permanentemente alienados da realidade política.

Em razão disso, o governo Bolsonaro toma as rédeas e faz o que bem entende, sem maiores preocupações, já que conhece intimamente o seu povo, que apenas assistirá aos fatos, sem se importar ou realmente compreender o que se passa. E nós, os paulistas nisso tudo? Mimetizando os brasileiros, nascemos e crescemos como que imersos num infeliz “tudo bem” ou “até que o Brasil não é tão ruim”. Somos mansos, e tiram descaradamente proveito de nós, que vivemos como completos ignorantes do que acontecem tanto na nossa pátria paulista, quanto naquela outra, a dos brasileiros.

Assistimos, atônitos, à estranha volta de um patriotismo brasileiro infantilizado e raso. Algo realmente curioso, visto que uma grande parte dos brasileiros mal sabe cantar seu hino nacional corretamente, ou desconhece a origem real das cores de sua bandeira. Poucos sabem o papel verdadeiro dos governantes, suas respectivas funções ou mesmo seus direitos fundamentais. O fato é que os brasileiros “boiam” em conceitos básicos de economia, legislação, bem como de direitos e deveres civis. Eles não estudam nem têm a mais vaga noção daquilo que é essencial para transformar a política brasileira em algo menos deprimente.

O reflexo desses acúmulos da pobreza intelectual da população se dá pela eleição de um candidato que é a imagem refletida daquilo que o brasileiro se tornou. Foi em nome da “salvação anti-petista” contra uma pretensa (e falsa) “ameaça comunista” que faria do Brasil “a próxima Venezuela”, assim como colocaria “vermelho no verde e amarelo” da bandeira brasileira.

Bolsonaro, a cada dia que passa, se revela um líder explicitamente mal preparado, que nada entende de fé ou política, mas tudo sabe sobre a fórmula do caos

O fenômeno Bolsonaro conseguiu dividir o Brasil, em consequência de conceitos distorcidos sobre Direita e Esquerda, comunismo e patriotismo, ameaça e salvação. E isso foi apenas possível em decorrência de dois fatores simples, que acabaram por eventualmente se unir: a falta de conhecimento da população, e as “fake news”, ou mensagens de natureza duvidosa, compartilhadas na rede Whatsapp (ou “zapzap”, como dizem alguns brasileiros), as quais revelaram o quanto este país acredita em qualquer coisa que via numa mídia social do que possuía vontade de exercer os seus direitos garantidos nesta suposta democracia brasileira – a de buscar e acessar informações e conhecimento a fim de construir sua própria opinião. Os brasileiros (e muitos paulistas, infelizmente) foram vítimas de um verdadeiro golpe contra nossa condição de seres racionais e indivíduos, e viraram “gado” eleitoral, mais uma vez.

O fato é que os brasileiros empoderaram uma figura que não tem propostas positivas reais para este país, e que apenas humilha o Brasil internacionalmente, fazendo politicagem barata que afunda a nossa economia e, por meio de uma malfadada e atípica política externa, coloca o maior país da América do Sul como uma sucursal que ecoa apenas as vontades dos Estados Unidos na região.

Bolsonaro foi eleito para “fazer o Brasil grande de novo”, mas acabou por evidenciar o contumaz complexo de vira-lata brasileiro. O presidente brasileiro prioriza mais questionamentos referentes a um “golden shower” no Twitter do que aquilo que é realmente importante para o país. Engana-se, porém, aquele que pensa que Bolsoaro é uma figura patética. Tais encenações são dignas de uma mente que pretende desviar a atenção das pessoas de seu governo imerso em tramas, impondo em nosso imaginário uma ideia de presidência ridiculamente inofensiva.

As intenções de Jair Bolsonaro são egoístas e ameaçam mergulhar o Brasil em mais uma crise, que será recheada de hipocrisia. Quem diz, como ele repete como um papagaio, que “ama sua pátria”, não a deixa paralisar por tanta incompetência. Se para Bolsonaro, ser “patriota” é dizer, no exterior, “Brasil e Estados Unidos acima de tudo!”, então que ele e seus apoiadores nos desculpem – preferimos ser só patriotas paulistas mesmo.

O desemprego aumenta, porte de armas é facilitado, o governo é desarticulado, a educação é podada a esmo, multas para partidos políticos são anistiadas, a Amazônia fica em risco, o Congresso está atônito, a bolsa desvalorizada, o real em queda livre frente o dólar, pesquisas científicas são suspensas, a fome se agrava; e mais uma vez, o Brasil não consegue contornar a crise – mas não se preocupem, pois o Carnaval logo vem aí, e todos irão às ruas cantar e dançar como é típico dos brasileiros.

As coisas no Brasil vão de mal a pior, mas… tudo bem, não é tão ruim, certo?

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Livros ameaçados de morte

Mercado editorial paulista afunda em crise graças ao Brasil

EBC

São Paulo está parando de ler. As vendas de livros em território paulista caíram 18% em volume e 19% (valor) na comparação entre o primeiro bimestre de 2018 e de 2019. No período, a queda de venda dos livros escolares foi pior: diminuição de 43% em volume e 38% em valor. Os dados são do 1º Painel das Vendas de Livros deste ano, feito pela consultora Nielsen Bookscan e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

Conforme o painel, em 2018, o crescimento do volume de vendas foi de 1,32% (44,3 milhões de exemplares) e no valor 4,59% (faturamento total de R$ 1,86 bilhão). O ano passado foi marcado pelo pedido de recuperação judicial de duas grandes redes varejistas (Saraiva e Melhoramentos), além do encerramento de atividades, em São Paulo, da FNAC, uma cadeia francesa de megastores especializada na venda de livros, CDs, jogos eletrônicos e aparelhos eletrônicos.

O presidente da Câmara de Livros, Vitor Tavares, disse que o setor livreiro “vive crises”, no plural. Segundo ele, a recessão e o baixo crescimento econômico visto em 2017 e 2018 afetaram o comportamento dos consumidores. “Os orçamentos pessoal e familiar diminuíram. As pessoas vão cortando consumo. O livro passa a ser considerado algo que pode esperar”.

Além da economia, Tavares assinala as mudanças no negócio, impactado com a venda na internet e pelos custos de manutenção de grandes lojas em shoppings. Ele também considera que a venda de livros em São Paulo é limitada pela falta do hábito de leitura, mas também há a questão da instabilidade econômica a que São Paulo padece, por culpa das políticas econômicas irresponsáveis que vêm de Brasília.

Hábito de leitura encolhe

A visão do presidente da Câmara do Livro é compartilhada por especialistas e já foi verificada em mais de uma edição da pesquisa Retratos da Leitura . De acordo com Zoara Falia, coordenadora do levantamento, 50% dos paulistas admitiram não ter lido um livro inteiro por vontade própria nos três meses antes da pesquisa (edição de 2016). Trinta por cento dos entrevistados declararam nunca ter comprado um livro em qualquer momento da vida.

Conforme Vitor Tavares, o impedimento da compra de livros não está no preço dos títulos. “A desculpa do preço é inerente à falta de hábito de leitura”. Em meados de 2018, a Nielsen Bookscan calculava que o preço médio do livro era de R$ 34.

De acordo com última edição da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE (2008), o gasto com livros é baixo em todas as faixas de renda familiar. Entre aqueles com rendimento de até dois salários mínimos, a despesa com “livros didáticos e revistas técnicas” foi de 0,1%, o mesmo percentual de gastos com “periódicos, livros e revistas não didáticas”.

No outro extremo, quem recebia mais de 25 salários mínimos, o dispêndio com livros didáticos e revistas técnicas também era de 0,1%. Enquanto que o gasto com periódicos, livros e revistas não didáticas chegou a 0,4%. “O preço é empecilho se tem valor absurdo. E se não tem dinheiro, a pessoa pode pegar o livro na biblioteca”, argumenta Vitor Tavares.

“As pessoas percebem a biblioteca para estudantes e para pesquisa, não um espaço cultural aberto à toda a população. Não percebem que ali encontram literatura que possa interessar”, analisa a especialista. Ela lamenta: “Às vezes, é único equipamento cultural que o município tem e deveria ser explorado, não só para acesso aos livros mas para eventos culturais”. Dado da pesquisa Retratos da Leitura indicam que menos de um terço da população (com mais de cinco anos de idade) vai às bibliotecas.

Obrigação de ler pressiona

A coordenadora da pesquisa ainda avalia que há razões dentro de casa e em sala de aula para o livro ser pouco consumido. “A escola não desperta o gosto pela leitura. A leitura acontece por forma obrigatória, isso não consegue atrair”, ressalta ao também descrever que nas famílias também “está faltando mediação, alguém que faça o contato do livro com as crianças e os jovens”.

“O hábito de leitura vem de casa ou vem da escola”, concorda Mansur Bassit, ex-secretário de Economia da Cultura, atualmente no Projeto Livro Conectado. Ele lembra que, em tempos de smartphone e internet, a atenção das pessoas está sempre em disputa. No caso dos estudantes, é preciso reforçar a preparação de docentes para essa realidade.

“É falha a formação dos nossos professores e isso reflete no mercado que não cresce. Capacitação dos professores é um dos grandes segredos para a gente melhorar a leitura, mas isso leva décadas”, pondera. Em geral, os docentes do ensino fundamental pertencem às redes municipais e os professores do ensino médio são de escolas estaduais.

A secretária executiva do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), Renata Costa, assinala que “o mercado editorial está mais aberto e voltado para as políticas públicas”. Segundo ela, os programas de aquisição de livros didáticos e paradidáticos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) “democratizam o acesso livro” e “aquecem o mercado”.

Este ano, o FNDE deve gastar mais de R$ 1,1 bilhão com a aquisição de 126 mil livros para atendimento aos professores da educação infantil e a todos os estudantes e professores dos anos iniciais do ensino fundamental, e para a reposição dos livros consumíveis para os estudantes e professores dos anos finais do ensino fundamental e ensino médio.

Outro programa governamental que viabiliza o aumento do consumo de livros é o programa Vale-Cultura, que entre 2013 e 2018, resultou no gasto de meio bilhão de reais em cultura entre trabalhadores empregados com carteira assinada. De acordo com base de dados do Ministério da Cidadania, 65% do valor (R$ 336 mil) foram gastos com aquisição de livros, jornais e revistas.

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