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Medicina

Idade das artérias pode ser distinta da idade do paciente

Jovens podem ter artérias mais rígidas do que pessoas idosas, aumentando o risco de acidentes cardíacos

Da Redação, em 26 de abril de 2019
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Estudos feitos na Europa pela sociedade médica Artery descobriram um novo exame capaz de identificar se uma pessoa, mesmo jovem, tem artérias rígidas que podem causar lesões comumente encontradas em pessoas mais velhas. Isso significa que a idade das artérias pode ser diferente da idade biológica do paciente e quanto mais velhas elas forem, maiores são os riscos para o coração.

O novo método de exame utiliza a velocidade de onda de pulso (VOP), gerada a partir de cada batimento do coração como um biomarcador de dano vascular, que é avaliado por meio da pressão central. Os estudos comprovaram que a parede vascular tem, pelo menos, duas funções. A camada celular que reveste interiormente os vasos sanguíneos e linfáticos, denominada endotélio, funciona como um órgão e tem a função de contração de elasticidade da artéria, disse Barbosa.

A parede média é uma camada que contém bastante elastina, quando a pessoa é jovem, e dá elasticidade ao vaso. Ao longo do tempo, o ser humano vai transformando a elastina em colágeno e ela vai ficando mais dura. É a arterioesclerose, ou esclerose das artérias, em que o vaso vai perdendo a capacidade de elasticidade. Por isso, costumava-se dizer que na pessoa idosa, a pressão arterial aumentava.

“E, no passado, achava-se que isso era normal. Era fisiológico, o vaso envelhecia e era normal a pressão subir”, disse Eduardo Barbosa. “Na verdade, descobriu-se que isso também causava um dano. O vaso endurecia, a pressão subia. O vaso perde a capacidade de acomodar, dilata para acomodar a pressão que está mais alta”, explicou.

Vaso sanguíneo doente

Com a continuidade das pesquisas, os médicos passaram a comparar como era o vaso de um paciente normal e de outro doente. “E a gente viu que o vaso de um paciente doente tinha um endurecimento, como se estivesse mais velho. Daí, a gente viu que tinha relação: quanto mais duro ou rígido o vaso fosse, mesmo se a pessoa fosse jovem, o comportamento daquela artéria era como se ele tivesse 70 anos, porque já tinha placa”.

A partir daí, a Artery começou a investigar e descobriu que a avaliação da elasticidade arterial pode estratificar melhor os fatores de risco do paciente. A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda o uso desse método também em jovens de risco intermediário, para reestratificar os fatores de risco, porque a velocidade de circulação do sangue pelo vaso pode estar aumentada e a artéria estar mais velha e não corresponder à idade biológica da pessoa.

Com isso, os médicos conseguem fazer um diagnóstico precoce e preveem quem vai ter doença cardiovascular, quem vai ter isquemia cerebral ou infarto. “A gente não espera a placa aparecer, porque já sabe que o vaso está doente, e consegue detectar precocemente quem vai ter problema cardíaco. Conhecer a velocidade de onda de pulso faz toda a diferença, o que se consegue por meio da medida da pressão central”. Segundo o presidente da Artery Latam, o dado importante é a velocidade de onda de pulso.

“E para saber a velocidade de onda de pulso, a gente tem que conhecer a pressão central”. Com essa informação, os médicos podem determinar a qualidade das artérias, além da idade biológica dos vasos, e escolher tratamentos mais adequados para cada paciente.

Redução da mortalidade

A adoção desse novo método de exame pode vir a reduzir as taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares, responsáveis por mais de 380 mil mortes no Brasil, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), e aproximadamente 18 milhões de mortes no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com o diagnóstico precoce, o médico pode tentar evitar as doenças cardíacas. “Assim, nós vamos diminuir não só a taxa, mas também a mortalidade por doença cardiovascular, que é a doença que mais mata no país hoje”.

Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Data SUS) mostram que 30.622 pessoas morreram devido a acidente vascular cerebral (AVC) no Brasil, no ano passado. As mortes por insuficiência cardíaca somaram 22.465 pessoas, e por infarto agudo do miocárdio atingiram 10.118 pessoas.

Estudos já realizados mostram que alguns tipos de câncer estão relacionados à rigidez arterial, bem como doenças do fígado, devido à má nutrição da musculatura, do metabolismo, e que tudo isso ocorre devido ao envelhecimento vascular, que é a base do envelhecimento humano e não está relacionado à idade biológica da pessoa.

Anvisa

O equipamento que permite medir a velocidade de onda de pulso foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no final do ano passado. Uma empresa nacional já está vendendo esse equipamento, cujo custo oscila entre R$ 20 mil e R$ 25 mil. Eduardo Barbosa adiantou que já há recomendações da Sociedade Europeia de Hipertensão para que os médicos usem esse novo método, bem como da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

No momento, o novo exame está disponível somente para pacientes particulares. A Artery Latam pretende que ele se estenda para convênios de planos de saúde e, numa etapa posterior, que chegue também para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, terá de ser elaborado protocolo que justifique a importância do exame, disse Eduardo Barbosa. Dependendo da demanda, ele acredita que o preço do aparelho pode cair, da mesma maneira que aconteceu com o cateterismo cardíaco e o uso de stents.

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Medicina

SP investe na construção de novo centro de hemodiálise

Recursos repassados à Secretaria da Saúde foram recuperados pelo Ministério Público em ações de combate à corrupção

Da Redação, em 19 de junho de 2019

A Secretaria de Estado da Saúde repassará R$ 2 milhões para a construção de um novo centro de hemodiálise na Santa Casa de Misericórdia de Dracena, no interior paulista. Os recursos foram doados à pasta no âmbito de acordos de colaboração premiada assinados entre investigados e o Ministério Público (MP) de São Paulo, por intermédio do Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec).

Vale destacar que o novo setor terá mais de mil metros quadrados e poderá atender 150 pacientes mensalmente, o que representa aumento de 36% em relação à capacidade de atendimento do setor (atualmente, de 110 pacientes por mês). O convênio foi publicado em Diário Oficial no dia 12 de junho. O acordo terá vigência até dezembro de 2020 e será pago em 18 parcelas, mediante a medição das obras, que serão executadas pela própria entidade.

Ampliação

Na região, o tratamento de hemodiálise também é ofertado pela Santa Casa e o Hospital Regional de Presidente Prudente. Juntas, as três entidades atendem 450 pacientes por mês. Com a ampliação do setor da Santa Casa de Dracena, a capacidade regional de atendimento a dialíticos aumentará cerca 9%.

“Esta iniciativa do Ministério Público permitirá uma importante ampliação no acesso à hemodiálise para pacientes de Dracena e região de Presidente Prudente”, ressalta o secretário de Estado da Saúde de São Paulo, José Henrique Germann Ferreira.

“O combate à corrupção é dever de todos e o MP tem papel de destaque nesse sentido. Esse recurso agora será revertido para fortalecer o Sistema Único de Saúde e melhorar a qualidade de vida dos pacientes em tratamento renal”, completa.

“A corrupção drena recursos necessários ao atendimento dos direitos sociais inscritos na Constituição Federal. Graças ao trabalho dos promotores de Justiça do Gedec, estamos devolvendo, com a ajuda da Secretaria da Saúde e da Santa Casa de Dracena, a quem de fato pertence: a sociedade”, declara o procurador-geral de Justiça, Gianpolo Smanio.

Unidades

O Governo do Estado mantém, na região, unidades próprias como os hospitais Estadual e Regional de Presidente Prudente, Estadual de Porto Primavera, bem como os Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) de Dracena e Presidente Prudente.

Além disso, para fortalecer a assistência regional, a pasta investe e custeia unidades conveniadas ao SUS. Desde 2018, a secretaria destinou, por meio de convênios, R$ 49,7 milhões em auxílios financeiros voluntários a hospitais filantrópicos e Santas Casas da região de Prudente. Somente para a Santa Casa de Dracena, os repasses foram superiores a R$ 2,7 milhões, no período, somando investimentos e custeio.

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Medicina

Vacina contra chikungunya já testada em humanos

Os testes realizados atualmente buscam uma dosagem eficiente para a imunização sem apresentar efeitos adversos

Da Redação, em 13 de maio de 2019
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Pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, já realizam testes em humanos para obter uma vacina segura e eficaz contra a chikungunya. O estudo foi apresentado no Rio de Janeiro, pelo infectologista mexicano Arturo Reyes-Sandoval, no Simpósio Desafios e Oportunidades na Pesquisa Clínica em Chikungunya: Produzindo Evidências para Saúde Pública.

A vacina contra o vírus da chikungunya já está em testes em 24 voluntários no Reino Unido e deve passar por uma nova rodada de testagens ao longo do ano que vem, com entre 120 e 150 pessoas no México. Arturo conta que os testes realizados atualmente buscam uma dosagem eficiente para a imunização, que já demonstrou não apresentar efeitos adversos. O estudo no México deve avaliar também a possibilidade de uma vacina que combine a imunização da chikungunya e da zika de forma segura. Caso a pesquisa caminhe no melhor dos cenários, estima, uma vacina contra a doença pode estar disponível em cinco anos.

O pesquisador afirma que, ao contrário de outros vírus, o da chikungunya tem uma capacidade limitada de mutação, o que permitiu que os pesquisadores mapeassem todas as suas formas registradas e criassem uma vacina com base em uma sequência genética que abrange todas e permitisse precaver futuras mutações.

“Estarmos um passo à frente do vírus”, comemora Arturo. Ele afirma que o principal entrave para os avanços no combate à doença eram a falta de conhecimento e de financiamento para as pesquisas. “Historicamente, a grande dificuldade foi a falta de interesse. Agora, a chikungunyua está em muitas partes do mundo e está chegando à Europa. Isso favorece o financiamento.”

A presença do vírus no Brasil e a capacidade de instituições como o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz fazem com que o país seja um importante parceiro para o futuro das pesquisas desenvolvidas em Oxford, aponta Arturo Reyes-Sandoval. “Depois de testarmos no México, considero que o país mais importante para finalizar esse desenvolvimento é o Brasil. O Brasil tem capacidade econômica e instituições fortes para poder produzir a vacina.”

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