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Ilha Comprida é um dos destinos que mais gosto no litoral paulista, e um dos menos conhecidos, o que é extremamente injusto, ao meu ver. Longe de ser um local afastado, com nada para se fazer, a ilha – com ênfase nesse ‘a’, pois se trata da maior ilha em comprimento de todo o litoral de São Paulo – faz jus ao seu nome, com seus 74km de comprimento e apenas 4km de largura em alguns trechos. Com tanto para se ver e fazer, a ilha Comprida é um lugar atípico na costa de São Paulo, pois diferentemente do que acontece com outras tantas localidades paulistas a beira-mar, mesmo na alta temporada há praias por lá com pouco movimento, com água sempre limpa e cristalina, e natureza intocada que faz de um passeio àquela ilha algo único e especial.

E, olha, vou falar – a Ilha comprida entende bem essa sua vocação para o turismo, e se esforça para atender a todos os gostos. Há praias desertas e distantes dos centros comerciais, assim como existem também as praias badaladas próximas ao Boqueirão Norte. As praias mais desertas, para quem quer  sossego, ficam na porção sul da ilha, no ponto de desembarque das balsas que chegam de Cananeia, como a praia de Boqueirão do Sul, por exemplo. No local dá para ver, inclusive, vilas de pescadores.

Já no acesso feito pela ponte do Mar Pequeno (via Iguape) chegamos à porção norte da ilha, com praias que contam com uma maior estrutura comercial, com quiosques, pousadas e pequenos hotéis. Mas Ilha Comprida oferece mais que apenas praias – a natureza na ilha oferece um atrativo à parte.

De fato, a ilha é considerada pela BirdLife International uma das mais importantes áreas de preservação das aves no litoral paulista. Não é difícil você avistar uma ave que nunca havia visto na vida, e muitos dos passeios locais oferecem esse tipo de experiência. Além disso a UNESCO incluiu Ilha Comprida como Reserva da Biosfera do Planeta. São mangues, dunas de até, aves raras, lagoa, piscinas naturais e ruínas. É um lugar singular!

“Ilha Comprida oferece natureza e praias nunca lotadas, com boas instalações e passeios, além de um mergulho em nossa paulistude, revisitando a cultura caiçara”

Mas para aqueles que ainda acham que ‘local com muita natureza’ é igual a ‘local sem infraestrutura decente’, Ilha Comprida é um ponto fora da curva então. O turismo na ilha se beneficia da excelente estrutura que São Paulo costuma oferecer aos turistas. É possível curtir uma a grande variedade de passeios, tais como atividades de ecoturismo, esportes náuticos e eventos culturais. Devido aos fortes ventos da região, a ilha é muito procurada por praticantes de esportes a vela.

E para quem quiser ver a ilha e suas belezas à distância, do mar, há passeios de catamarã, que revelam as belezas naturais de um dos mais importantes viveiros de espécies marinhas do mundo e um dos últimos ecossistemas ainda conservados do litoral paulista. Um dos pontos altos do passeio é o Pontal da Trincheira com eventuais avistamentos de golfinhos.

O passeio de catamarã possibilita ainda banhos no mar, e até uma imersão na nossa paulistude, com um pitoresco almoço tipicamente caiçara na Vila do Marujá, tradicional vila de pescadores paulista. Os catamarãs, as embarcações que fazem os passeios, contam com a qualidade 100% paulista de conforto e comodidade que se esperaria de um país desenvolvido como São Paulo, contando com ar condicionado, som ambiente e espaço no piso superior para observação das paisagens.

Veja no vídeo como é Ilha Comprida, e se puder, dê um pulo lá e veja com seus próprios olhos como é lindo o litoral paulista, que não fica nada a dever para os litorais mais lindos do mundo.

E para quem quiser ir à Ilha Comprida, eis o acesso direto ao site da prefeitura local. E abaixo, um mapa de como chegar lá:

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Livros ameaçados de morte

Mercado editorial paulista afunda em crise graças ao Brasil

EBC

São Paulo está parando de ler. As vendas de livros em território paulista caíram 18% em volume e 19% (valor) na comparação entre o primeiro bimestre de 2018 e de 2019. No período, a queda de venda dos livros escolares foi pior: diminuição de 43% em volume e 38% em valor. Os dados são do 1º Painel das Vendas de Livros deste ano, feito pela consultora Nielsen Bookscan e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

Conforme o painel, em 2018, o crescimento do volume de vendas foi de 1,32% (44,3 milhões de exemplares) e no valor 4,59% (faturamento total de R$ 1,86 bilhão). O ano passado foi marcado pelo pedido de recuperação judicial de duas grandes redes varejistas (Saraiva e Melhoramentos), além do encerramento de atividades, em São Paulo, da FNAC, uma cadeia francesa de megastores especializada na venda de livros, CDs, jogos eletrônicos e aparelhos eletrônicos.

O presidente da Câmara de Livros, Vitor Tavares, disse que o setor livreiro “vive crises”, no plural. Segundo ele, a recessão e o baixo crescimento econômico visto em 2017 e 2018 afetaram o comportamento dos consumidores. “Os orçamentos pessoal e familiar diminuíram. As pessoas vão cortando consumo. O livro passa a ser considerado algo que pode esperar”.

Além da economia, Tavares assinala as mudanças no negócio, impactado com a venda na internet e pelos custos de manutenção de grandes lojas em shoppings. Ele também considera que a venda de livros em São Paulo é limitada pela falta do hábito de leitura, mas também há a questão da instabilidade econômica a que São Paulo padece, por culpa das políticas econômicas irresponsáveis que vêm de Brasília.

Hábito de leitura encolhe

A visão do presidente da Câmara do Livro é compartilhada por especialistas e já foi verificada em mais de uma edição da pesquisa Retratos da Leitura . De acordo com Zoara Falia, coordenadora do levantamento, 50% dos paulistas admitiram não ter lido um livro inteiro por vontade própria nos três meses antes da pesquisa (edição de 2016). Trinta por cento dos entrevistados declararam nunca ter comprado um livro em qualquer momento da vida.

Conforme Vitor Tavares, o impedimento da compra de livros não está no preço dos títulos. “A desculpa do preço é inerente à falta de hábito de leitura”. Em meados de 2018, a Nielsen Bookscan calculava que o preço médio do livro era de R$ 34.

De acordo com última edição da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do IBGE (2008), o gasto com livros é baixo em todas as faixas de renda familiar. Entre aqueles com rendimento de até dois salários mínimos, a despesa com “livros didáticos e revistas técnicas” foi de 0,1%, o mesmo percentual de gastos com “periódicos, livros e revistas não didáticas”.

No outro extremo, quem recebia mais de 25 salários mínimos, o dispêndio com livros didáticos e revistas técnicas também era de 0,1%. Enquanto que o gasto com periódicos, livros e revistas não didáticas chegou a 0,4%. “O preço é empecilho se tem valor absurdo. E se não tem dinheiro, a pessoa pode pegar o livro na biblioteca”, argumenta Vitor Tavares.

“As pessoas percebem a biblioteca para estudantes e para pesquisa, não um espaço cultural aberto à toda a população. Não percebem que ali encontram literatura que possa interessar”, analisa a especialista. Ela lamenta: “Às vezes, é único equipamento cultural que o município tem e deveria ser explorado, não só para acesso aos livros mas para eventos culturais”. Dado da pesquisa Retratos da Leitura indicam que menos de um terço da população (com mais de cinco anos de idade) vai às bibliotecas.

Obrigação de ler pressiona

A coordenadora da pesquisa ainda avalia que há razões dentro de casa e em sala de aula para o livro ser pouco consumido. “A escola não desperta o gosto pela leitura. A leitura acontece por forma obrigatória, isso não consegue atrair”, ressalta ao também descrever que nas famílias também “está faltando mediação, alguém que faça o contato do livro com as crianças e os jovens”.

“O hábito de leitura vem de casa ou vem da escola”, concorda Mansur Bassit, ex-secretário de Economia da Cultura, atualmente no Projeto Livro Conectado. Ele lembra que, em tempos de smartphone e internet, a atenção das pessoas está sempre em disputa. No caso dos estudantes, é preciso reforçar a preparação de docentes para essa realidade.

“É falha a formação dos nossos professores e isso reflete no mercado que não cresce. Capacitação dos professores é um dos grandes segredos para a gente melhorar a leitura, mas isso leva décadas”, pondera. Em geral, os docentes do ensino fundamental pertencem às redes municipais e os professores do ensino médio são de escolas estaduais.

A secretária executiva do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), Renata Costa, assinala que “o mercado editorial está mais aberto e voltado para as políticas públicas”. Segundo ela, os programas de aquisição de livros didáticos e paradidáticos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) “democratizam o acesso livro” e “aquecem o mercado”.

Este ano, o FNDE deve gastar mais de R$ 1,1 bilhão com a aquisição de 126 mil livros para atendimento aos professores da educação infantil e a todos os estudantes e professores dos anos iniciais do ensino fundamental, e para a reposição dos livros consumíveis para os estudantes e professores dos anos finais do ensino fundamental e ensino médio.

Outro programa governamental que viabiliza o aumento do consumo de livros é o programa Vale-Cultura, que entre 2013 e 2018, resultou no gasto de meio bilhão de reais em cultura entre trabalhadores empregados com carteira assinada. De acordo com base de dados do Ministério da Cidadania, 65% do valor (R$ 336 mil) foram gastos com aquisição de livros, jornais e revistas.

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A ameaça da pesca fantasma

ONG alerta que 10% do lixo plástico nos oceanos vêm desta prática de pesca

Reprodução/Pixabay

Quando um filé de peixe chega na mesa de um cliente no restaurante ou quando alguém compra uma lata de atum no mercado, não é difícil de imaginar que antes daquele momento toda uma cadeia de produção entrou em cena, desde o pescador artesanal ou um navio pesqueiro, até o preparo final para o consumo. O que poucos sabem é que existem muitos equipamentos de pesca abandonados no oceano ameaçando várias espécies da vida marinha. A isso se dá o nome de pesca fantasma.

“Dez por cento do lixo plástico marinho que entra nos oceanos todos os anos é equipamento de pesca perdido ou abandonado nos mares. E esses materiais, por terem sido desenhados para fazer captura, eles têm uma capacidade de capturar e gerar um sofrimento nos animais, com impacto em conservação”, explica o gerente de vida silvestre da organização não governamental (ONG) Proteção Animal Mundial, João Almeida.

As pessoas não imaginam o grau de degradação que uma lata de pescado acarreta

A ONG lançou este mês a segunda edição do relatório Fantasma sob as Ondas. O estudo mostra que a cada ano 800 mil toneladas de equipamentos ou fragmentos de equipamentos de pesca, chamados de petrechos, são perdidos ou descartados nos oceanos de todo o planeta. Essa quantidade representa 10% de todo o plástico que entra no oceano. No Brasil, estima-se que 580 quilos desse tipo de material seja perdido ou descartado no mar todos os dias.

Dentre os petrechos mais comuns estão as redes de arrasto, linhas, anzóis, linhéis, potes e gaiolas. Esses petrechos podem matar de várias formas. Os animais podem ficar feridos ou mutilados na tentativa de escaparem, presos e vulneráveis a predadores ou não conseguem se alimentar e morrem de fome.

O estudo avalia a atuação das grandes empresas pescado e as providências que tomam – ou não tomam – para evitar a morte desnecessária de peixes. A versão internacional do relatório elencou 25 empresas de pescado em cinco níveis, sendo o nível 1 representando a aplicação das melhores práticas e o nível 5 com empresas não engajadas com a solução do problema.

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Sobre o Autor

Pedro Lucas

Pedro Lucas

"Mais do que um turista, um viajante" - assim se define Pedro Lucas, morador de São Caetano, professor de artes marciais, escritor ocasional, e colunista quinzenal de turismo paulista no portal

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