Siga-nos

Colunistas

Leite, sem preconceitos

O leite não é o “vilão das dietas saudáveis”, mas um alimento que deve ser consumido com sabedoria

Freeimages

Todos temos dúvidas sobre boa alimentação. Por isso, neste que é o primeiro texto nesta minha nova coluna aqui no Pátria Paulista, gostaria de responder a algumas das dúvidas mais comuns sobre um alimento que anda sendo muito mal-visto ultimamente por quem faz dieta, mas não precisa ser assim. Estou me referindo ao leite. Vamos descobrir o que é verdade e o que é mito sobre esse líquido básico para a vida humana? Então vamos lá!

O leite é bom para os adultos, sim ou não? O leite é outro alimento, nem é essencial nem é um veneno, como eles estão pintando. Poderíamos estar falando sobre o baixo consumo de grão-de-bico e ninguém está em crise, nem por não consumir carbonatos. É verdade que fomos vendidos por muito tempo como alimento estrela em cálcio, rico em proteína; Sim, mas não é o único alimento que podemos usar para obter esses nutrientes.
Deve-se parar de beber leite com certa idade? Depende da pessoa, há pessoas que em cada década sintetizam menos lactase, então digerimos a lactose pior. Mas não necessariamente, leite sem lactose pode ser bom para você, mas você pode consumir qualquer outro alimento.

Leite cru (sem tratamento) é perigoso? Antes de comercializar qualquer tipo de leite, a pasteurização deve ser feita, um tratamento térmico para a segurança alimentar. Nós eliminamos as bactérias patogênicas que o leite tem de modo que não cause nenhum dano à saúde das pessoas. Essa moda que está se espalhando recentemente para comercializar leite cru é bastante perigosa. Apesar de vendermos leite cru, então em casa você tem que ferver em casa.

É melhor que realizemos este processo na indústria e não deixemos o leite com patógenos que dão origem aos casos de meningite e outras toxinas, por não tratar bem o alimento.

Qual é melhor: o leite integral, o desnatado ou o semi-
desnatado? Estas são as opções tradicionais que descobrimos, a única diferença é a diferença entre a quantidade de gordura, que pode causar algumas vitaminas a serem perdidas ou não. Por muitos anos, o leite desnatado tem sido injustificadamente recomendado para todos, este é um mito dos anos 90, que dizem que se você tem risco cardiovascular, beba leite desnatado.

Com as pesquisas mais recentes, descobrimos que não se justifica, você pode tomar desnatado ou integral, indiferentemente.

O leite de cabra é mais oleoso? Depende do formato desnatado ou integral, as principais diferenças estão na fração proteica, o leite de cabra é digerido muito melhor e produz menos alergias.

O leite vegetal (leite de amêndoas, por exemplo) alimenta da mesma forma? Não tem os mesmos nutrientes porque são alimentos completamente diferentes. Nós chamamos isso de leite por pura analogia, mas estão mais para “sucos de grãos”. E eles terão as diferenças nutricionais dependendo de onde vierem; isto é, se vier de um cereal como arroz ou aveia, terá mais carboidratos; se vier de uma fruta seca, como amêndoa ou avelã, terá mais gordura. O mais nutricionalmente semelhante ao leite para sua fração proteica, para o conteúdo de cálcio, é o da soja.

Os leites enriquecidos são melhores? Aqueles que são enriquecidos em cálcio e ômega-3 devem ser tratados com cuidado. Primeiro, tenha em mente que uma ingestão maior de cálcio não sabe se tem os benefícios que nos vendem para parar a osteoporose. Às vezes nos esquecemos de recomendar mais exercício físico, nos expor ao sol, etc. e sempre falamos sobre a quantidade de cálcio.

Por exemplo, se você está investindo dinheiro em leite enriquecido, talvez consiga mais ômega -3 – um sanduíche de sardinha ou nozes – do que aquela bebida enriquecida.

Publicidade
Clique para comentar

Comentar

Alita, uma robô com alma

Adaptação de um mangá, Alita é a história de um ciborgue com alma humana, em busca de seu passado

Divulgação/Fox Studio

Já faz um tempo desde que o diretor Robert Rodriguez nos encheu os olhos com espetáculos visuais como seu filme “Sin City”. Após cinco anos de jejum em termos de bons filmes, o cineasta está mostrando sinais de vida novamente. Alita é seu melhor filme, um épico de ficção científica que faz algo raro numa era de adaptações infinitas: faz jus ao seu potencial, deixando aquele gosto de “quero mais”.

Uma adaptação do mangá de Yukito Kishiro, o filme se passa 300 anos após “a queda” – um desses genéricos apocalipses de ficção científica que garantem a grande revelação no final.

Alita é o tipo de filme cujas histórias de fundo se entrelaçam tanto que levam tempo para serem devidamente explicadas, mas a direção segura de Rodriguez faz bem em manter a sua exposição ao mínimo.

Como um cruzamento feminino de Pinóquio e o monstro de Frankenstein, tudo atualizado para a era espacial, Alita é descoberta num ferro-velho pelo Dr. Ido, um cirurgião cibernético com um fraco por criaturas inocentes cujos corpos – biológicos ou mecânicos – falharam. Ao ser encontrada, Alita não consegue dizer quem é ou de onde veio, após ser trazida de volta à vida (ou ser posta online, como queira). O que ela rapidamente percebe, porém, é que ela tem o poder de aniquilar qualquer um que cruze seu caminho.

Essa é uma habilidade útil para se ter na Cidade de Ferro, uma quase distopia que vive sob a longa sombra projetada pela cidade aérea chamada Zalum. Os “proletários” desse futuro distópico são mantidos em terra, na superpovoada metrópole, nunca podendo ascender ao suposto paraíso acima deles – a menos que você seja o último campeão de um esporte absurdamente perigoso, um tal de motorball.

Alita então se põe na lista lista de competidores, que usam mecanismos aprimorados para matar os adversários e se sagrarem vencedores. Com suas vitórias nessa arena, Alita tem a chance de conhecer seu criador, e desvendar o mistério de sua origem, e este filme.

Continue Lendo

Nozes, as aliadas da dieta

Quando a “sabedoria popular” não condiz com a verdade – nozes fazem muito bem à saúde

Freeimages

Desde pequenos ouvimos que nozes engordam; que é preciso comer pouco (ou nada) delas, senão o risco para sua saúde pode ser grande; e mais coisas do gênero. Mas o fato é que as nozes são uma categoria de alimentos que ganhou má fama mais por conta do disse-me-disse de gente que acha que sabe do que está falando, do que por seu teor nutritivo e valor alimentar efetivo. É hora de desmistificar as nozes, e é isso que me proponho a fazer neste meu texto de hoje.

Existem certos alimentos em que temos, de fato, um certa dualidade em relação à sua eventual adequação a dietas emagrecedoras. Quando falamos desses tipos de alimentos, é comum ouvir comentários que levam em conta apenas um lado da coisa, não levando em consideração o que a ciência nutricional mais moderna tem a dizer. Para citar alguns exemplos, temos o ovo (cuja polêmica, se “´faz bem” ou “não faz bem” à dieta vou tratar num texto futuro), o leite (já devidamente analisado, em detalhes, na semana passada), e as nozes, sobre as quais tratarei hoje neste texto de minha coluna aqui no Pátria Paulista.

Respondendo logo de sopetão – nozes engordam, afinal? Não, nozes não engordam. Isso de nozes serem super-calóricas é um mito nutricional, algo que não deve ser mais levado em conta por aqueles que queiram fazer uma dieta saudável.

Neste mundo tão antigordura e anticalórico em que vivemos atualmente, as nozes carregam um estigma que dificilmente pode-se relevar. A gente deve reconhecer, porém, que as nozes pertencem a uma gama de produtos que fornecem uma quantidade significativa de lipídios e, portanto, sua ingestão calórica relativamente alta em comparação com outros produtos.
Essa informação gera a desconfiança de boa parte das pessoas que quer emagrecer (e que odeia as gorduras e as calorias a mais).

Uma caloria não é uma caloria

O que é preciso atentar é que, à vezes, ” uma caloria não é uma caloria”, ou seja, que um alto teor de gordura – como têm as nozes – não é sinônimo de maior probabilidade de ganhar peso. Em qualquer caso e antes de começar a enumerar a enorme quantidade de estudos que sustentam essa perspectiva, é necessário definir o que estou chamando de nozes. Quando falo de “nozes”, estou me referindo a sementes secas e naturais de amêndoas, nozes, avelãs, castanha de caju, pistache, pinhão, castanha do Pará, amendoim e assim por diante. E geralmente também se refere ao consumo de frutas secas (passas, figos, ameixas, damascos secos, tâmaras, etc.). Por nozes também quero deixar claro que não estou me referindo a versões saldadas, fritas ou cobertas com caramelo e açúcares artificiais, mas sim às sementes em seu estado natural.

Estudos defendem as nozes

Num interessante estudo internacional, mais de 50 mil mulheres, entre 25 e 45 anos de idade, tiveram suas variações de peso anotadas e acompanhadas por mais de 8 anos, com especial atenção ao seu consumo de nozes. O que se observou com a pesquisa é que um maior consumo desse alimento foi associado a um menor risco de aumento de peso e que, longe de ser vistas com suspeita, as nozes poderiam ser consideradas mais como uma ferramenta para o controle de problemas de peso do que como um perigo. A conclusão desse estudo foi que um maior consumo de nozes foi associado a um menor ganho de peso após estes 8 anos, bem como um risco menor de sobrepeso ou obesidade. Ou seja, aqueles que mais consumiam nozes em sua dieta habitual apresentaram menor prevalência de obesidade em comparação com aqueles que os consumiam com menor frequência.

Existem inúmeros estudos com resultados semelhantes que mostraram claramente que consumo de nozes não foi associado a um aumento do risco de ganho de peso em estudos epidemiológicos de longo prazo ou em ensaios clínicos.

É lógico imaginar que o consumo de algo como nozes, que têm muitos lipídios e, portanto, muitas calorias, esteja relacionado ao risco da obesidade. Faz sentido. Mas o ponto é que as nozes contribuem para uma sensação de saciedade. Isto quer dizer que a comer uma pequena quantidade de nozes, você não sente mais fome.

Ajudando a flora intestinal

Mas há outro efeito, mais interessante, das nozes no nosso organismo: elas promovem o crescimento de cepas bacterianas que dentro de nossa flora intestinal têm um papel proeminente no controle de problemas de peso.
No fim das contas, nozes são extremamente saudáveis, e são grandes aliadas de sua dieta, por conta de sua riqueza em fibras solúveis a partir das quais se revela o seu efeito junto à sua flora intestinal.

Continue Lendo

Sobre o Autor

Catarina Cagliostro

Catarina Cagliostro

Formada em nutrição há mais de 15 anos, Catarina Cagliostro quer falar aos leitores do Pátria Paulista sobre as melhores práticas para a boa alimentação.

Outros Textos Seus

Últimas Notícias

Destaques