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Oposição venezuelana convoca manifestações

Oposição e governo convocam manifestações como meio de medir apoio popular efetivo para seus respectivos lados

Da Redação, em 23 de janeiro de 2019
Reprodução/Twitter

A oposição e o governo da Venezuela voltam a medir suas forças nas ruas, nesta quarta-feira (23), depois de duas semanas de crescente tensão. Ambos convocaram manifestações, no aniversário do golpe cívico-militar que derrotou a ditadura do general Marcos PérezJiménez, em 1958.

Para o argentino Rosendo Fraga, especialista em estudos militares, não deve se confirmar a  expectativa da oposição venezuelana que deposita no crescente descontentamento dos militares com a crise a possibilidade de revolta nos quartéis e a queda do regime do presidente Nicolás Maduro.

 “Acho pouco provável que isso aconteça”, disse o especialista à Agência Brasil. “A Venezuela mudou. Deixou de ser um país governado por um populista autoritário, que era o caso do ex-presidente Hugo Chávez, para virar um regime totalitário, ao estilo cubano. Com isso, as Forças Armadas deixaram de estar a serviço da nação, para estar a serviço do Partido Socialista da Venezuela.”

Situação delicada

Fraga lembrou que o regime comunista cubano resistiu a mais de meio século de boicote, imposto pelos Estados Unidos, à dissolução da União Soviética, seu principal aliado na Guerra Fria, e a sucessivas crises econômicas.

“A Venezuela, além de ter as maiores reservas mundiais de petróleo, conta com financiamento da China e da Rússia”, disse. “Os Estados Unidos, o Brasil e os países da região estão aumentando a pressão política, mas acho difícil que participem de uma intervenção militar até porque qualquer plano para derrubar Maduro vai requerer dinheiro para ajudar o novo governo a endireitar a economia, ajuda de alimentação e forças de paz.”

No momento em que os Estados Unidos retiram suas tropas da Síria, reduzindo a sua presença no Afeganistão, Fraga avalia como pouco provável que atuem militarmente na Venezuela. Mas o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, enviou mensagem de apoio aos que “levantarem a voz” contra o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, a quem chamou de “ditador”. Pence elogiou Guaidó por comandar o Parlamento venezuelano. Segundo ele, Guaidó teve uma atitude corajosa ao declarar Maduro um “usurpador”.

Nova oposição, mais aguerrida

Os opositores têm como líder o jovem deputado Juan Guaidó, de 35 anos, do partido Vontade Popular – o mesmo de Leopoldo Lopez, que cumpre prisão domiciliar, acusado de ter incentivado a violência nos protestos de 2017, que resultaram na morte de mais de 120 pessoas. 

Nesta semana, o ministro da Comunicação da Venezuela, Jorge Rodríguez, sinalizou que Guaidó pode sofrer as mesmas represálias que Lopez. Ele responsabilizou os “terroristas da Vontade Popular” pela rebelião de 27 integrantes da Guarda Bolivariana (a policia militar venezuelana), na segunda-feira (21).

Segundo o ministro, os rebeldes – que  foram detidos – roubaram armas para ajudar o partido opositor “a organizar atos de violência (na manifestação de hoje) e um eventual assalto ao Palácio (presidencial) de Miraflores”.

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Alan García, ex-presidente do Peru, comete suicídio

Alan García recebeu ordem de prisão por estar envolvido em esquemas de corrupção e preferiu se matar a se entregar à Odebrecht

Da Redação, em 17 de abril de 2019
Ernesto Arias/EFE/Direitos reservados

O ex-presidente do Peru Alan García morreu hoje (17), depois de dar um tiro na cabeça ao receber ordem de prisão em sua casa, no bairro Miraflores, em Lima. Ele era acusado de corrupção em caso envolvendo a empresa brasileira Odebrecht. García foi levado com urgência ao Hospital Casimiro Ulloa, na capital peruana, mas não resistiu.

De acordo com informações médicas, o ex-presidente, 69 anos, teve três paradas cardíacas e foi reanimado. Ele deu entrada no hospital às 6h45, com perfurações de entrada e saída de bala no crânio. O presidente do Peru, Martín Vizcarra, lamentou no Twitter a morte de Alan García. “Consternado com a morte do ex-presidente. Envio minhas condolências à família e pessoas queridas”.

O ex-presidente do Peru Alan García tentou se matar na manhã de hoje (17) quando ia ser detido pela polícia em sua casa no bairro de Miraflores, em Lima. Ele é acusado de corrupção em caso envolvendo a Odebrecht.
Seu estado de saúde é grave, segundo a imprensa local. García foi levado com urgência ao Hospital Casimiro Ulloa, na capital peruana.

Estado grave

O ex-presidente estava internado e passou por cirurgia após dar um tiro na própria cabeça. Conforme comunicado da ministra da Saúde do Peru, Zulema Tomás, seu estado de saúde era muito grave. García decidiu se matar após a Justiça decretar a sua prisão preventiva, na manhã de hoje (17), por suposto envolvimento em casos de corrupção com a empresa brasileira Odebrecht.

De acordo com informações médicas, García, 69 anos, teve três paradas cardíacas e foi reanimado três vezes. Ele deu entrada no Hospital Casimiro Ulloa, às 6h45, com perfurações de entrada e saída de bala na cabeça. Está sendo operado desde as 7h10.

O ex presidente teria atirado na própria cabeça após a chegada de agentes da Divisão de Investigação de Delitos de Alta Complexidade, com uma ordem de prisão preventiva de 10 dias. Ele está envolvido em suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro vinculado ao caso Odebrecht, na construção da Linha 1 do Metrô de Lima.

Ordens de prisão

Outros dois políticos também receberam ordens de prisão hoje (17), Luis Nava, ex secretário geral da Presidência no governo Alan García, e Miguel Atala, ex-vice-presidente da PetroPerú. Ontem (16), em sua conta no Twitter, García escreveu que “como em nenhum documento sou mencionado e nenhum indício nem me evidencia nem me alcança, só resta especulações ou que inventem intermediários. Jamais me vendi e está provado”.

García está sendo investigado pelo Ministério Público do Peru, e impedido de deixar do país. Ele vivia em Madri desde 2016 e, no ano passado, quando estava no Peru, recebeu a ordem de que não poderia deixar o país por 18 meses, para assegurar a sua presença no processo. Em dezembro do ano passado, García pediu asilo político ao Uruguai, alegando perseguição política, mas teve o pedido negado. À época, o presidente uruguaio Tabaré Vázquez afirmou que o caso de García não era perseguição política e que, no Peru, “funcionam autônoma e livremente os três poderes do Estado, especialmente o Poder Judiciário”.

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Um terço do Brasil não sabe sobre crise na Venezuela

Entre os que se informaram a respeito, 54% são contra a intervenção militar na Venezuela

Da Redação, em 13 de abril de 2019
Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo)

É um período preocupante e turbulento para a Venezuela neste momento, que vem piorando ao longo desses últimos anos. Porém, de acordo com o Datafolha, mesmo com tamanho foco dos jornais sobre a situação no país, 35% da população brasileira desconhece a atual crise no nosso vizinho. Dentro dos outros 65% cientes do que ocorre por lá, 54% são contra a intervenção militar brasileira contra o ditador Nicolás Maduro.

Uma intervenção desse nível só seria possível com a aprovação do Congresso Nacional, mesmo que o presidente Jair Bolsonaro venha a defender a ideia de que ele é o responsável por esta decisão. Já de acordo com o chanceler brasileiro Ernesto Araújo, a pressão internacional será suficiente para a queda do então ditador venezuelano, dispensando ações militares desnecessárias.

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