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Os Bolsonaro e o poder

Os três filhos de Bolsonaro têm um grau de ingerência no governo que nem ministros têm, e isso é ruim para todos

Arte/Pátria Paulista

Uma nova função governamental parece ter aparecido no Palácio da Alvorada neste começo de ano. Trata-se do inusitado cargo de filho oficial do presidente da república. Não que Jair Bolsonaro tenha filhos “não oficiais“. Em nenhum momento estou duvidando de sua fidelidade a bela esposa que tem. O que me refiro é a função de porta-voz, coordenador político, menino de recados, chefe de mídia social e, agora, derrubador de ministros que seus filhos parecem ter no Planalto.

Para os Bolsonaro, a presidência parece ser algo que foi conquistada em família. Na visão deles, talvez, os milhões de votos que Jair Bolsonaro recebeu como candidato à presidência significaram um voto de confiança — e de poder — para os filhos Bolsonaro também. É preocupante o grau de ingerência que os filhos do presidente tem este governo. É preciso que a sociedade lembre a eles que quem foi eleito foi apenas Jair Bolsonaro tem não todos seus outros filhos.

Dito isto, fica ainda mais evidente o descalabro que Aconteceu com o secretário Bebianno. Este foi desmentido ao vivo ir na hora, por meio de mídia social, pelo filho Carlos Bolsonaro, e depois confirmado pelo presidente, num retuíte. Acompanhando política há mais de 30 anos, nunca tinha visto tamanho despreparo, amadorismo e grosseria com um subalterno antes. Se o presidente Bolsonaro não estava mais satisfeito com Bebianno no poder, que o demitisse. Mas porque contradizê-lo e, consequentemente, humilhá-lo em praça pública virtual?

Não consigo pensar em qualquer outro objetivo, minimamente lógico, além de querer passar um recado tosco a sua base. “Se eu faço isso — humilhação e descaso – com um grande aliado meu de campanha, o que farei com vocês, se não me apoiarem?” Se for este o caso, estamos diante do pensamento de um proto-ditador, E isso é perigoso para nossa frágil democracia. Se for, entretanto, apenas sinal mesmo de amadorismo e miopia política, neste caso, é ainda mais perigoso para nossa democracia.

O melhor a fazer seria afastar os filhos de Bolsonaro da esfera mais central do poder executivo federal. Que eles vão administrar suas próprias carreiras, suas próprias idiossincrasias, e suas estupidezes em público, apenas referentes a seus cargos — um deputado federal, um senador, e um mero vereador. Deixem a presidência para quem foi, efetivamente, eleito para governar. Ainda que, cá entre nós, o eleito está se mostrando cada vez mais confuso no que é e no que deve fazer por lá

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Sempre voltando atrás

O governo de Bolsonaro parece ter predileção em dizer ou propor alguma galhofice, e e se “não colar”, se volta atrás

A semana nos brindou com mais uma patetice feita pela equipe do presidente Jair Bolsonaro. O pateta da vez foi o atual ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, que, ao enviar uma nefasta determinação, exigindo que o hino nacional brasileiro fosse tocado nas escolas, tanto públicas quanto privadas, de maneira obrigatória, e ainda requeria que uma carta, direcionada aos alunos, com vagas e inúteis palavras “patrióticas“ fosse lida antes da execução do Hino.

Foi demandado, inclusive, que os diretores e professores filmassem os alunos cantando o hino, o que por si só já é um absurdo – só se pode filmar ou fotografar uma criança com expressa autorização dos pais ou responsáveis. E para colocar a cereja no bolo, esta carta sim encerrava com o mote de campanha de Bolsonaro: “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”.

Nem bem a carta foi recebida por diretores de escola, secretários estaduais e autoridades da área de educação, e a resposta foi fulminante: a proposta, além de ridícula e patrioteira, é ilegal. Configuraria, inclusive, crime potencial de improbidade administrativa. Era tão óbvio isso que até o vice-presidente, Mourão, comentou a um jornalista que o pedido do ministro era ilegal.

Mas é claro que o brilhante ministro da Educação, que nem brasileiro nato é, não sabia disso. E daí veio o ato de retroceder. O que era uma ordem virou uma “sugestão”, a carta os alunos foi esquecida e o mote do presidente, tirado em definitivo da proposta.

Visivelmente, o governo Bolsonaro flerta com uma visão do tipo “se colar, colou” junto à opinião pública

Este recurso do ministro – o de retroceder quando a imbecilidade fica evidente na sociedade – foi apenas mais um de Bolsonaro e companhia.
De fato, este governo está pródigo em retroceder, após alguma ideia estapafúrdia ser jogada no meio político ou na imprensa. Já vimos uma Secretária de Direitos Humanos se enrolar toda com aquela patacoada de “menino usa azul e menina usa rosa”.

Tivemos também o constrangedor tuíte de Carlos Bolsonaro, que fingiu obedecer ao “papai” no que tange a rosnar contra ministros de estado.
O próprio Bolsonaro já se mostra hesitante quanto as propostas de reforma da previdência que seu governo mesmo está negociando no Congresso. Será que vem aí mais um gesto que indique uma vontade grande de retroceder?

Afinal é fácil ser popular, bancando o meme vivo, mas negociar um pacote de medidas francamente impopular como o da reforma da Previdência, isso já é outra história. Apenas o tempo dirá.

O que fica claro é que o Brasil está na mão de amadores, tanto em termos de política, quanto em termos de administração pública. Coitado deste país.

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Alita, uma robô com alma

Adaptação de um mangá, Alita é a história de um ciborgue com alma humana, em busca de seu passado

Divulgação/Fox Studio

Já faz um tempo desde que o diretor Robert Rodriguez nos encheu os olhos com espetáculos visuais como seu filme “Sin City”. Após cinco anos de jejum em termos de bons filmes, o cineasta está mostrando sinais de vida novamente. Alita é seu melhor filme, um épico de ficção científica que faz algo raro numa era de adaptações infinitas: faz jus ao seu potencial, deixando aquele gosto de “quero mais”.

Uma adaptação do mangá de Yukito Kishiro, o filme se passa 300 anos após “a queda” – um desses genéricos apocalipses de ficção científica que garantem a grande revelação no final.

Alita é o tipo de filme cujas histórias de fundo se entrelaçam tanto que levam tempo para serem devidamente explicadas, mas a direção segura de Rodriguez faz bem em manter a sua exposição ao mínimo.

Como um cruzamento feminino de Pinóquio e o monstro de Frankenstein, tudo atualizado para a era espacial, Alita é descoberta num ferro-velho pelo Dr. Ido, um cirurgião cibernético com um fraco por criaturas inocentes cujos corpos – biológicos ou mecânicos – falharam. Ao ser encontrada, Alita não consegue dizer quem é ou de onde veio, após ser trazida de volta à vida (ou ser posta online, como queira). O que ela rapidamente percebe, porém, é que ela tem o poder de aniquilar qualquer um que cruze seu caminho.

Essa é uma habilidade útil para se ter na Cidade de Ferro, uma quase distopia que vive sob a longa sombra projetada pela cidade aérea chamada Zalum. Os “proletários” desse futuro distópico são mantidos em terra, na superpovoada metrópole, nunca podendo ascender ao suposto paraíso acima deles – a menos que você seja o último campeão de um esporte absurdamente perigoso, um tal de motorball.

Alita então se põe na lista lista de competidores, que usam mecanismos aprimorados para matar os adversários e se sagrarem vencedores. Com suas vitórias nessa arena, Alita tem a chance de conhecer seu criador, e desvendar o mistério de sua origem, e este filme.

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Sobre o Autor

Flávio Rebelo

Flávio Rebelo

Flávio Rebelo é paulista, nascido em Santos e morador da cidade de São Paulo. Microempresário na área de educação e cultura, atua também como ativista social por meio da ONG São Paulo Livre

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