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Música

Pequeno Cidadão resgata inteligência na música infantil

Grandes nomes do rock paulista se juntam para criar músicas para crianças, e o resultado é espetacular

Da Redação, em 20 de fevereiro de 2018

Quando grandes nomes do Rock paulista, hoje respeitáveis pais de família, se reúnem para tocar um projeto musical com seus filhos, o resultado não poderia ser menos do que espetacular. Acompanhados de seus rebentos, Edgard Scandurra (Ira!), Arnaldo Antunes (Titãs) , Taciana Barros (Gang 90), auxiliados pelo compositor de trilhas sonoras para filmes Antônio Pinto dão um show com o projeto Pequeno Cidadão.

As origens deste marcante projeto não poderiam ser mais corriqueiras: com encontros frequentes dos pais músicos em festas, visto que seus filhos estudavam na mesma escola, canções infantis com conteúdo, divertidas mas ao mesmo tempo, inteligentes na letra e nos arranjos, começaram a tomar forma meio que naturalmente. Em certo momento, já com um repertório pronto, o grupo nasceu, e nos brinda com uma de suas melhores canções: ‘O Sol e a Lua’.

O mais legal é que os filhos dos músicos participam dos vocais, cantando junto com seus pais. O projeto Pequeno tem 14 músicas – todas brincando com dilemas e problemas que os ‘pequenos cidadãos’ (as crianças) tem. Canções infantis divertidas sobre o drama quase existencial na hora de largar a chupeta, sobre o eterno dilema ‘obrigação versus diversão’, e até mesmo uma tocante (e melancólica) história de amor, como a do Sol pela Lua. Um projeto excelente, que resgata a inteligência num gênero musical que costuma subestimar seus ouvintes mirins.

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Música

Festival de Música da Rádio MEC abre inscrições

Começam nesta sexta-feira as inscrições gratuitas para o Festival de Música Rádio MEC 2019

Da Redação, em 12 de abril de 2019
Fernando Frazão/Agência Brasil

As inscrições de canções de todo o Sudeste brasileiro podem ser feitas no site do festival para quatro categorias que dialogam com a programação da emissora e o perfil das músicas tocadas: clássicas, instrumentais, brasileiras e infantis.

O gerente da Rádio MEC, Thiago Regotto, destacou que os interessados podem inscrever até duas canções por categoria, até o total de oito cada um. Segundo ele, o objetivo do festival é “buscar novos músicos para tocar na Rádio MEC”. Isso inclui cantores, compositores e instrumentistas. Todas as músicas concorrentes devem ser inéditas. Serão conferidos nove prêmios, sendo dois para cada categoria musical (compositor e intérprete) e um para o vencedor eleito pelo voto popular.

A divulgação da primeira seleção para os semifinalistas será no dia 22 de julho, no endereço eletrônico do festival, sendo seis músicas de cada categoria, somando 24 canções. Elas já começam a entrar programação da emissora até agosto, quando serão escolhidos três finalistas de cada categoria.

Até a premiação, as músicas candidatas poderão ser ouvidas na Rádio MEC AM e FM. A Comissão Julgadora será composta por até cinco membros, personalidades de notório saber ou em atividade na área musical, e profissionais da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) .

A expansão do festival

Regotto lembrou que, pela primeira vez, o festival deixa de ser limitado ao Rio de Janeiro e vai receber inscrições de toda a Região Sudeste, visando a valorizar a produção de artistas do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e do Espírito Santo. Originalidade da obra e qualidade artística, esta envolvendo música, letra, partitura e interpretação, são critérios que serão considerados pela comissão julgadora para a seleção dos melhores concorrentes.

Para a próxima edição, em 2020, já está sendo estudada a possibilidade de ampliar o festival para todo o país e, depois, para nível internacional. “É um desafio a cada edição. Em 2017, entrou música clássica; no ano passado, entrou a categoria infantil, por exemplo”, disse o gerente.

Finalistas

No dia 26 de agosto, serão conhecidas as 12 músicas finalistas. Os ouvintes poderão votar nas melhores músicas e melhores intérpretes entre 26 de agosto e 25 de setembro de 2019. A votação popular pela internet será restrita a um voto por IP de computador.

Os nove vencedores do festival serão reconhecidos como Melhor Canção, Melhor Intérprete Vocal, Melhor Música Infantil, Melhor Intérprete de Música Infantil, Melhor Música Instrumental, Melhor Intérprete de Música Instrumental, Melhor Música Clássica, Melhor Intérprete de Música Clássica e Melhor Música eleita pelo voto popular (internet).

As 12 canções finalistas participarão da solenidade de premiação no dia 25 de setembro, quando serão anunciados os vencedores. Eles receberão troféus durante show, às 20h, em homenagem ao aniversário do radialista Roquette Pinto, considerado o pai da radiodifusão no Brasil.

O local ainda está sendo definido. A partir de 25 de setembro, os vencedores passarão a ser considerados “artistas residentes” da Rádio MEC que, segundo Thiago Regotto, “abre espaço democraticamente para a divulgação dessas novas obras musicais”. 

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Música

‘Pobre Paulista’ – um clássico mal-compreendido?

Da Redação, em 16 de fevereiro de 2018

Os anos 80 foram marcados pela explosão de Rock em todo o país. Dentre tantas bandas, algumas se sobressaíram e resistiram ao passar dos anos. Uma dessas bandas foi, com certeza, o Ira!  – assim mesmo, com ponto de exclamação, já indicando a que veio esse grupo de jovens paulistas que brindaram o público com sucessos inesquecíveis como “Envelheço Na Cidade”, “Flores em Você”, “Dias de Luta” e “Gritos na Multidão”. Todas essas canções, verdadeiros clássicos do Rock de São Paulo, podiam ser encontradas no inspirado álbum ‘Vivendo e Não Aprendendo’, lançado em 1986.

A essa sucessão de baladas deslumbrantes e, ao mesmo tempo, musicalmente densas e chamativas, encontra-se aquela que é, ao mesmo tempo, considerada uma das melhores músicas do grupo e objeto de certa polêmica. Trata-se da canção ‘Pobre Paulista’.

Essa música, uma das mais requisitadas pelo público nos primeiros anos da banda, é uma espécie de hino punk paulista. Ela começa suave, mas vai num crescente seguro, conduzido pelo vocalista Nasi, até chegar a uma verdadeira apoteose sonora com seu refrão, que era sempre entoado por uma multidão delirante nos shows da banda.

“Pobre Paulista” tem uma musicalidade intensa, uma mensagem forte e, por isso mesmo, não muito palatável para os mais sensíveis – ou seja, é um ‘clássico do punk’ legítimo, até pela reações que ainda hoje gera, contra e a favor. Aqueles que se sentem ofendidos pela verdadeira torrente de paulistude da letra levantam os dedos em acusação quando a terceira estrofe vem à tona: “Não quero ver mais essa gente feia, não quero ver mais os ignorantes, eu quero ver gente da minha terra, eu quero ver gente do meu sangue”.

É justamente aí que as acusações de que o grupo cantava uma canção ‘racista’ aparecem. Alguns veem nesse trecho ofensas a migrantes brasileiros que pululam as ruas de muitas cidades paulistas. Edgard Scandurra, o autor da letra e guitarrista do grupo, negou inúmeras vezes que ‘Pobre Paulista’ tivesse um caráter racista. Ele dizia ser ‘um grito juvenil contra aqueles que oprimiam a população paulista’, visto que a canção fora composta quando este tinha apenas 17 anos.

Tudo mudou, porém, quando o Ira! participou de um show acústico no canal de música MTV, no ano de 2004. Segundo o vocalista Nasi, nesse dia Scandurra teria admitido que a letra de ‘Pobre Paulista’ continha sentimentos discriminatórios contra a leva de migrantes brasileiros no território paulista. Desde então, Nasi não canta mais esta canção nos shows que eventualmente faz.

Entretanto a suposta ‘confissão’ de Scandurra veio num momento em que o Ira! se desfazia, de maneira não muito tranquila. O que pareceu para muitos o fim da banda acabou coroado pela polêmica sobre ‘Pobre Paulista’. Mas o fato é que essa canção venceu o tempo, os conflitos entre os integrantes da banda, e mesmo o falatório contrário, e consolidou-se como uma das mais emblemáticas músicas paulistas. ‘Pobre Paulista’ é um clássico de São Paulo, (muitos) gostem ou (alguns) não.

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