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Europa

Primeira-ministra britânica anuncia renúncia

Theresa May deixará a liderança do partido Conservador no dia 7 de junho

Da Redação, em 24 de maio de 2019
wikimedia

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta sexta-feira (24) que vai deixar, no dia 7 de junho, a liderança do Partido Conservador e que o processo de escolha de um novo líder vai começar na próxima semana. “Continuarei a servir como primeira-ministra até que o processo esteja concluído”, disse Theresa May, em entrevista em sua residência oficial.

Ela argumentou que é dever dos políticos “implementar o que [o povo] decidiu”,  referindo-se ao Brexit, aprovado há três anos. “Fiz tudo o que podia para convencer os deputados a apoiar o acordo de saída. Infelizmente, não consegui. É agora claro para mim que é do interesse do país que seja um novo primeiro-ministro a liderar esse esforço. Por isso, anuncio que irei me demitir do cargo de líder do Partido Conservador na sexta-feira, 7 de junho”, concluiu a primeira-ministra”.

“Será sempre uma matéria de grande arrependimento que não tenha conseguido cumprir o Brexit. Será função do meu sucessor procurar um caminho que honre o resultado do referendo. Para ser bem-sucedido, ele ou ela terá de encontrar um consenso no Parlamento, que eu não consegui. Esse consenso só pode ser atingido se ambas as partes em debate estiverem disponíveis para o compromisso”, afirmou May. Visivelmente emocionada, ela acrescentou que foi a maior honra de sua vida vida ter sido a segunda mulher primeira-ministra no Reino Unido, “mas, certamente, não a última”, e ter servido ao país que ama.

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Europa

Brexit pode ocorrer sem renegociação de acordo

A União Europeia (UE) não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May

Da Redação, em 29 de maio de 2019
EBC

A União Europeia (UE) não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, nessa terça-feira (28), enquanto crescem os temores de que o sucessor de May possa iniciar um confronto com o bloco. O Brexit está completamente indefinido depois que May anunciou sua renúncia, provocando uma disputa de liderança no Partido Conservador, que poderá levar ao poder um novo primeiro-ministro que busque uma ruptura mais decisiva com a UE.

Um dos candidatos, o secretário de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, disse que buscar um Brexit sem acordo seria um “suicídio político”, uma reprimenda ao favorito, Boris Johnson, que disse na semana passada que o Reino Unido deveria deixar a UE com ou sem acordo até o fim de outubro. Hunt, que votou para permanecer na UE no referendo de 2016 mas agora aceita o Brexit, disse que tentaria buscar um novo acordo que tiraria o Reino Unido da união alfandegária com a Europa, “respeitando preocupações legítimas” sobre a fronteira com a Irlanda. A UE, no entanto, afirmou que não haverá renegociação.

“Terei uma reunião breve com Theresa May, mas sou claro: não haverá renegociação”, observou Juncker antes de um encontro de líderes da UE em Bruxelas. O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse acreditar que o risco de o Reino Unido sair do bloco sem um acordo de divórcio está crescendo. “Bem, há um risco crescente de não acordo. Há possibilidade de que o novo primeiro-ministro possa vir a repudiar o acordo de retirada”, afirmou a jornalistas.

Qualquer que seja o sucessor de May, ele terá de aceitar que o acordo de divórcio do Brexit acertado por ela não será ratificado pelo atual Parlamento britânico. Além disso, uma solução para a questão da fronteira com a Irlanda, que incomoda a muitos parlamentares, deve ser encontrada. Muitos apoiadores do Brexit rejeitaram o acordo de May por causa do mecanismo “backstop“, que requer que o Reino Unido adote algumas das regras da UE indefinidamente, a não ser que um futuro acordo seja atingido para manter aberta a fronteira terrestre entre Irlanda do Norte e Irlanda.

Sob as leis em vigência atualmente, o Reino Unido deixará a União Europeia automaticamente no dia 31 de outubro mesmo sem acordo, a não ser que o Parlamento aprove algum antes disso, a UE ofereça uma extensão do prazo, ou o governo revogue sua decisão de deixar o bloco.

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Europa

Governo alemão alerta judeus contra uso do quipá

Ataques antissemitas aumentaram consideravelmente em todo o país, deixando a população em alerta

Da Redação, em 27 de maio de 2019
Reprodução

O comissário do governo alemão para o combate ao antissemitismo aconselhou judeus a não usar o quipá (peça do vestuário judeu) em público, devido a um recente aumento de ataques antissemitas no país. “Não posso recomendar aos judeus que usem o quipá todo o tempo e em qualquer lugar na Alemanha. Infelizmente preciso dizer isso”, afirmou o comissário, Felix Klein, em entrevista ao grupo de mídia Funke.

Klein afirmou que sua opinião sobre o assunto mudou devido a “uma crescente desinibição social e brutalização” na sociedade, que fizeram com que o antissemitismo aumentasse. “A internet e as redes sociais contribuíram fortemente para isso, mas também os constantes ataques contra a nossa cultura da memória”, afirmou.

O comissário sugeriu que policiais e funcionários públicos sejam treinados para lidar com o problema. Klein afirmou que há uma definição clara do que é antissemitismo e que esta deve ser ensinada em academias policiais, assim como a professores e juristas. De acordo com dados do Ministério do Interior, crimes antissemitas aumentaram quase 20% na Alemanha em 2018 em relação ao ano interior, com 1.799 ocorrências.

Klein destacou que 90% dos casos foram praticados por indivíduos que apoiam grupos de extrema direita. Após as declarações de Klein, representantes da comunidade judaica na Alemanha exigiram que o Estado garanta aos judeus uma vida sem medo. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, se disse “profundamente chocado” com a recomendação do comissário alemão.

“A responsabilidade pelo bem-estar, a liberdade e o direito ao exercício da religião por qualquer membro da comunidade judaica está nas mãos do governo alemão e de seus órgão para aplicação da lei”, afirmou. “Temores quando à segurança de judeus alemães são uma capitulação perante o antissemitismo e um reconhecimento de que os judeus novamente não estão seguros em solo alemão”, acrescentou. O presidente israelense disse que nunca se deve capitular perante o antissemitismo.

Neste domingo (26), o presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Josef Schuster, denunciou um aumento das ameaças antissemitas no país, reforçando o alerta de Klein. “Há muito tempo é fato que, em grandes cidades, judeus estão potencialmente expostos a riscos, se forem identificados como judeus”, afirmou. “Eu não tendo a dramatizar, mas, no geral, a situação realmente piorou.”

Segundo Schuster, o debate desencadeado por Klein é bem-vindo, pois “está na hora” de toda a sociedade alemã combater o antissemitismo. A ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, manifestou preocupação com a situação. “Os atos violentos cada vez mais frequentes contra judias e judeus são vergonhosos para o nosso país”, disse ao jornal Handelsblatt.

A ministra afirmou que movimentos de direita atacam a democracia na Alemanha e têm como alvo a convivência pacífica no país. Klein, cujo posto de comissário para o antissemitismo foi criado no ano passado, ressaltou que políticos e a sociedade precisam reconhecer os problemas que ele apontou e que o combate ao antissemitismo deve ser tarefa de todos.

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