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Europa

Reino Unido pode sair da UE sem acordo

“Mais provável”, diz Michel Barnier, negociador-chefe da União Europeia (UE) para o Brexit

Da Redação, em 03 de abril de 2019
Hannah Mckay/EPA/Agência Lusa

O negociador-chefe da União Europeia (UE) para o Brexit, Michel Barnier, acredita que o cenário de saída do Reino Unido sem acordo é agora mais provável, depois dos últimos fatos na política interna britânica. Em Bruxelas, Barnier disse nesta terça-feira (2) que será necessário um “voto positivo” na Câmara dos Comuns” para evitar um “hard Brexit” em 12 de abril.

Barnier afirmou que a saída sem acordo está agora mais próxima.Os avisos de Bruxelas chegam um dia depois da nova votação inconclusiva por parte do Parlamento britânico, que nesta segunda-feira (1º) rejeitou quatro alternativas ao acordo proposto pela primeira-ministra Theresa May.

“Nunca quisemos o cenário sem acordo. Mas a União Europeia já está pronta. Fica mais claro a cada dia”, disse o negociador durante evento do think-thank European Policy Centre, na capital belga. 

Ele citou cenários possíveis para a saída do Reino Unido da UE: chegar a acordo esta semana sobre o entendimento proposto por Theresa May, a uma variação dessa proposta, a uma saída sem acordo, ou à extensão do Artigo 50, este que, na sua opinião, necessitaria de forte justificativa.

De acordo com Michel Barnier, uma nova extensão do prazo “traria riscos significativos para a União Europeia, e por isso seria necessária uma forte justificação”.  

O jornal The Guardian destaca que, de acordo com os sinais que a União Europeia tem enviado, um adiamento para depois de 12 de abril, ou 22 de maio, só seria possível em caso de marcação de eleições antecipadas ou com a realização de um segundo referendo.  

Ontem, os deputados britânicos rejeitaram as quatro opções alternativas ao acordo de saída do Reino Unido da União Europeia, defendido pela primeira-ministra Theresa May.

Na quarta-feira da semana passada, foram a votação oito alternativas a esse documento, sendo que todas foram vetadas pelos deputados britânicos. 

*Com informações da RTP (emissora pública de televisão de Portugal)

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Europa

Brexit pode ocorrer sem renegociação de acordo

A União Europeia (UE) não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May

Da Redação, em 29 de maio de 2019
EBC

A União Europeia (UE) não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, nessa terça-feira (28), enquanto crescem os temores de que o sucessor de May possa iniciar um confronto com o bloco. O Brexit está completamente indefinido depois que May anunciou sua renúncia, provocando uma disputa de liderança no Partido Conservador, que poderá levar ao poder um novo primeiro-ministro que busque uma ruptura mais decisiva com a UE.

Um dos candidatos, o secretário de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, disse que buscar um Brexit sem acordo seria um “suicídio político”, uma reprimenda ao favorito, Boris Johnson, que disse na semana passada que o Reino Unido deveria deixar a UE com ou sem acordo até o fim de outubro. Hunt, que votou para permanecer na UE no referendo de 2016 mas agora aceita o Brexit, disse que tentaria buscar um novo acordo que tiraria o Reino Unido da união alfandegária com a Europa, “respeitando preocupações legítimas” sobre a fronteira com a Irlanda. A UE, no entanto, afirmou que não haverá renegociação.

“Terei uma reunião breve com Theresa May, mas sou claro: não haverá renegociação”, observou Juncker antes de um encontro de líderes da UE em Bruxelas. O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse acreditar que o risco de o Reino Unido sair do bloco sem um acordo de divórcio está crescendo. “Bem, há um risco crescente de não acordo. Há possibilidade de que o novo primeiro-ministro possa vir a repudiar o acordo de retirada”, afirmou a jornalistas.

Qualquer que seja o sucessor de May, ele terá de aceitar que o acordo de divórcio do Brexit acertado por ela não será ratificado pelo atual Parlamento britânico. Além disso, uma solução para a questão da fronteira com a Irlanda, que incomoda a muitos parlamentares, deve ser encontrada. Muitos apoiadores do Brexit rejeitaram o acordo de May por causa do mecanismo “backstop“, que requer que o Reino Unido adote algumas das regras da UE indefinidamente, a não ser que um futuro acordo seja atingido para manter aberta a fronteira terrestre entre Irlanda do Norte e Irlanda.

Sob as leis em vigência atualmente, o Reino Unido deixará a União Europeia automaticamente no dia 31 de outubro mesmo sem acordo, a não ser que o Parlamento aprove algum antes disso, a UE ofereça uma extensão do prazo, ou o governo revogue sua decisão de deixar o bloco.

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Europa

Governo alemão alerta judeus contra uso do quipá

Ataques antissemitas aumentaram consideravelmente em todo o país, deixando a população em alerta

Da Redação, em 27 de maio de 2019
Reprodução

O comissário do governo alemão para o combate ao antissemitismo aconselhou judeus a não usar o quipá (peça do vestuário judeu) em público, devido a um recente aumento de ataques antissemitas no país. “Não posso recomendar aos judeus que usem o quipá todo o tempo e em qualquer lugar na Alemanha. Infelizmente preciso dizer isso”, afirmou o comissário, Felix Klein, em entrevista ao grupo de mídia Funke.

Klein afirmou que sua opinião sobre o assunto mudou devido a “uma crescente desinibição social e brutalização” na sociedade, que fizeram com que o antissemitismo aumentasse. “A internet e as redes sociais contribuíram fortemente para isso, mas também os constantes ataques contra a nossa cultura da memória”, afirmou.

O comissário sugeriu que policiais e funcionários públicos sejam treinados para lidar com o problema. Klein afirmou que há uma definição clara do que é antissemitismo e que esta deve ser ensinada em academias policiais, assim como a professores e juristas. De acordo com dados do Ministério do Interior, crimes antissemitas aumentaram quase 20% na Alemanha em 2018 em relação ao ano interior, com 1.799 ocorrências.

Klein destacou que 90% dos casos foram praticados por indivíduos que apoiam grupos de extrema direita. Após as declarações de Klein, representantes da comunidade judaica na Alemanha exigiram que o Estado garanta aos judeus uma vida sem medo. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, se disse “profundamente chocado” com a recomendação do comissário alemão.

“A responsabilidade pelo bem-estar, a liberdade e o direito ao exercício da religião por qualquer membro da comunidade judaica está nas mãos do governo alemão e de seus órgão para aplicação da lei”, afirmou. “Temores quando à segurança de judeus alemães são uma capitulação perante o antissemitismo e um reconhecimento de que os judeus novamente não estão seguros em solo alemão”, acrescentou. O presidente israelense disse que nunca se deve capitular perante o antissemitismo.

Neste domingo (26), o presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Josef Schuster, denunciou um aumento das ameaças antissemitas no país, reforçando o alerta de Klein. “Há muito tempo é fato que, em grandes cidades, judeus estão potencialmente expostos a riscos, se forem identificados como judeus”, afirmou. “Eu não tendo a dramatizar, mas, no geral, a situação realmente piorou.”

Segundo Schuster, o debate desencadeado por Klein é bem-vindo, pois “está na hora” de toda a sociedade alemã combater o antissemitismo. A ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, manifestou preocupação com a situação. “Os atos violentos cada vez mais frequentes contra judias e judeus são vergonhosos para o nosso país”, disse ao jornal Handelsblatt.

A ministra afirmou que movimentos de direita atacam a democracia na Alemanha e têm como alvo a convivência pacífica no país. Klein, cujo posto de comissário para o antissemitismo foi criado no ano passado, ressaltou que políticos e a sociedade precisam reconhecer os problemas que ele apontou e que o combate ao antissemitismo deve ser tarefa de todos.

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