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Europa

Separatistas vencem eleições na Catalunha

As três principais forças independentistas conseguiram alcançar maioria absoluta no parlamento, nas eleições catalãs

Da Redação, em 21 de dezembro de 2017
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Com 82,5% dos votos já apurados, os partidos independentistas garantiram a maioria absoluta do parlamento regional nas eleições realizadas nesta quinta-feira na região autônoma Catalunha. Segundo os resultados parciais, os três partidos que defendem a independência da Catalunha – Junts per Catalunya (‘Juntos pela Catalunha’, em português), liderado pelo ex-presidente regional Carles Puigdemont, a Esquerda Republicana Català (ERC – ‘Esquerda Republicana Catalã’), do ex-vice-presidente Oriel Junqueras, e a Candidatura de Unidade Popular (CUP) – obtiveram 69 cadeiras do parlamento, uma a mais do que o necessário para garantir a maioria absoluta.

O resultado não deixa de ser irônico, na medida em que o partido mais votado deve ser o Ciutadans (‘Cidadãos’, em português), contrário à independência da Catalunha, com 36 cadeiras. Mas a somatória dos deputados eleitos pelos independentistas garante a maioria absoluta no parlamento, com a junção de todos a favor do prosseguimento do processo de independência.

O feito do bloco partidário de Puigdemont é ainda mais impressionante, quando se via todas as pesquisas indicarem que a Esquerda Republicana seria o partido mais votado pelos eleitores separatistas. Os 34 assentos que o ‘Juntos pela Catalunha’ obtiveram permitirão não apenas uma eventual volta triunfante de Carles Puigdemont ao Executivo, como presidente efetivo da Catalunha, mas também mostra que o povo catalão quer independência sim, mas não necessariamente com uma ‘guinada à esquerda’ no processo.

Vitória põe intervenção espanhola em xeque

Nem a prisão, nem o exílio, nem a intervenção da autonomia, nem a censura, nem a enorme campanha mediática, política, policial e judicial na Espanha não conseguiram sufocar o independentismo catalão. Com uma participação histórica, nunca antes vista, de mais de 80% dos eleitores da Catalunha (por lá, como em qualquer país efetivamente democrático e civilizado, votar é um direito, não uma obrigatoriedade), as três forças separatistas superam a maioria absoluta.

À meia-noite (horário local), Puigdemont fez uma aparição em vídeo, acompanhado pelos quatro conselheiros do legítimo governo catalão – todos exilados na Bélgica. Visivelmente satisfeito, Puigdemont assegurou que o resultado das eleições não deixa espaço para contestações, e comentou que o presidente espanhol Mariano Rajoy havia fracassado. Nas palavras do presidente exilado da Catalunha: “A República da Catalunha venceu a monarquia espanhola do artigo 155.” Por fim, ele pediu à Europa que passe a observar com mais atenção o que sucede na Catalunha.

Para Madri, a derrota foi total. A administração do presidente espanhol Mariano Rajoy interviu jurídica e politicamente na Catalunha, após esta ter declarado sua independência, por meio do artigo 155 da constituição da Espanha. Com a aplicação deste artigo, o Executivo catalão foi desmantelado, com conselheiros (o equivalente catalão a ministros) sendo presos, afastados ou impedidos judicialmente, e forçando o presidente legítimo do novo país, Carles Puigdemont, e mais quatro conselheiros, a fugirem para a Bélgica, num auto-exílio com o claro objetivo de sensibilizar a União Europeia, cuja sede fica em Bruxelas.

Independência reconfirmada

O voto majoritariamente pró-independência agora deixa o governo espanhol em más lençóis, pois o que Rajoy fará agora? Uma nova intervenção espanhola na Catalunha? Vai Madri se atrever a derrubar outro governo legítimo, eleito pelo voto democrático e livre, da maioria dos catalães? E a União Europeia, permanecerá calada e insensível ao ver pisoteados valores democráticos que, supostamente, tanto defende em outras partes do mundo? Muitas perguntas para serem respondidas num futuro bem mais próximo do que muitos imaginam.

A questão catalã agora envereda para um novo patamar – uma zona cinzenta, onde a Catalunha não é mais Espanha, mas ainda não é um país independente e soberano. As próximas semanas mostrarão em que direção vai esta nova crise europeia, e até onde ela é suficientemente forte para dar, enfim, a luz a um novo país europeu, livre e independente, chamado Catalunha.

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Europa

Brexit pode ocorrer sem renegociação de acordo

A União Europeia (UE) não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May

Da Redação, em 29 de maio de 2019
EBC

A União Europeia (UE) não renegociará o acordo do Brexit definido com a primeira-ministra britânica, Theresa May, disse o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, nessa terça-feira (28), enquanto crescem os temores de que o sucessor de May possa iniciar um confronto com o bloco. O Brexit está completamente indefinido depois que May anunciou sua renúncia, provocando uma disputa de liderança no Partido Conservador, que poderá levar ao poder um novo primeiro-ministro que busque uma ruptura mais decisiva com a UE.

Um dos candidatos, o secretário de Relações Exteriores, Jeremy Hunt, disse que buscar um Brexit sem acordo seria um “suicídio político”, uma reprimenda ao favorito, Boris Johnson, que disse na semana passada que o Reino Unido deveria deixar a UE com ou sem acordo até o fim de outubro. Hunt, que votou para permanecer na UE no referendo de 2016 mas agora aceita o Brexit, disse que tentaria buscar um novo acordo que tiraria o Reino Unido da união alfandegária com a Europa, “respeitando preocupações legítimas” sobre a fronteira com a Irlanda. A UE, no entanto, afirmou que não haverá renegociação.

“Terei uma reunião breve com Theresa May, mas sou claro: não haverá renegociação”, observou Juncker antes de um encontro de líderes da UE em Bruxelas. O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse acreditar que o risco de o Reino Unido sair do bloco sem um acordo de divórcio está crescendo. “Bem, há um risco crescente de não acordo. Há possibilidade de que o novo primeiro-ministro possa vir a repudiar o acordo de retirada”, afirmou a jornalistas.

Qualquer que seja o sucessor de May, ele terá de aceitar que o acordo de divórcio do Brexit acertado por ela não será ratificado pelo atual Parlamento britânico. Além disso, uma solução para a questão da fronteira com a Irlanda, que incomoda a muitos parlamentares, deve ser encontrada. Muitos apoiadores do Brexit rejeitaram o acordo de May por causa do mecanismo “backstop“, que requer que o Reino Unido adote algumas das regras da UE indefinidamente, a não ser que um futuro acordo seja atingido para manter aberta a fronteira terrestre entre Irlanda do Norte e Irlanda.

Sob as leis em vigência atualmente, o Reino Unido deixará a União Europeia automaticamente no dia 31 de outubro mesmo sem acordo, a não ser que o Parlamento aprove algum antes disso, a UE ofereça uma extensão do prazo, ou o governo revogue sua decisão de deixar o bloco.

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Europa

Governo alemão alerta judeus contra uso do quipá

Ataques antissemitas aumentaram consideravelmente em todo o país, deixando a população em alerta

Da Redação, em 27 de maio de 2019
Reprodução

O comissário do governo alemão para o combate ao antissemitismo aconselhou judeus a não usar o quipá (peça do vestuário judeu) em público, devido a um recente aumento de ataques antissemitas no país. “Não posso recomendar aos judeus que usem o quipá todo o tempo e em qualquer lugar na Alemanha. Infelizmente preciso dizer isso”, afirmou o comissário, Felix Klein, em entrevista ao grupo de mídia Funke.

Klein afirmou que sua opinião sobre o assunto mudou devido a “uma crescente desinibição social e brutalização” na sociedade, que fizeram com que o antissemitismo aumentasse. “A internet e as redes sociais contribuíram fortemente para isso, mas também os constantes ataques contra a nossa cultura da memória”, afirmou.

O comissário sugeriu que policiais e funcionários públicos sejam treinados para lidar com o problema. Klein afirmou que há uma definição clara do que é antissemitismo e que esta deve ser ensinada em academias policiais, assim como a professores e juristas. De acordo com dados do Ministério do Interior, crimes antissemitas aumentaram quase 20% na Alemanha em 2018 em relação ao ano interior, com 1.799 ocorrências.

Klein destacou que 90% dos casos foram praticados por indivíduos que apoiam grupos de extrema direita. Após as declarações de Klein, representantes da comunidade judaica na Alemanha exigiram que o Estado garanta aos judeus uma vida sem medo. O presidente de Israel, Reuven Rivlin, se disse “profundamente chocado” com a recomendação do comissário alemão.

“A responsabilidade pelo bem-estar, a liberdade e o direito ao exercício da religião por qualquer membro da comunidade judaica está nas mãos do governo alemão e de seus órgão para aplicação da lei”, afirmou. “Temores quando à segurança de judeus alemães são uma capitulação perante o antissemitismo e um reconhecimento de que os judeus novamente não estão seguros em solo alemão”, acrescentou. O presidente israelense disse que nunca se deve capitular perante o antissemitismo.

Neste domingo (26), o presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Josef Schuster, denunciou um aumento das ameaças antissemitas no país, reforçando o alerta de Klein. “Há muito tempo é fato que, em grandes cidades, judeus estão potencialmente expostos a riscos, se forem identificados como judeus”, afirmou. “Eu não tendo a dramatizar, mas, no geral, a situação realmente piorou.”

Segundo Schuster, o debate desencadeado por Klein é bem-vindo, pois “está na hora” de toda a sociedade alemã combater o antissemitismo. A ministra alemã da Justiça, Katarina Barley, manifestou preocupação com a situação. “Os atos violentos cada vez mais frequentes contra judias e judeus são vergonhosos para o nosso país”, disse ao jornal Handelsblatt.

A ministra afirmou que movimentos de direita atacam a democracia na Alemanha e têm como alvo a convivência pacífica no país. Klein, cujo posto de comissário para o antissemitismo foi criado no ano passado, ressaltou que políticos e a sociedade precisam reconhecer os problemas que ele apontou e que o combate ao antissemitismo deve ser tarefa de todos.

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