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Ciência

SpaceX criará nave espacial para colonizar Marte

Elon Musk anuncia que sua empresa está criando uma nave que permitirá a colonização de Marte já na próxima década

Da Redação, em 16 de novembro de 2017
Divulgação - SpaceX

O empresário Elon Musk, dono da empresa espacial SpaceX, apresentou um projeto para colonizar o planeta Marte ao longo da próxima década no ano passado, e agora ele mostra os avanços que a empresa fez durante esse período. Na ocasião – um congresso na cidade de Adelaide, na Austrália, o milionário norte-americano apresentou uma versão mais moderna da nave espacial fará parte do projeto de colonização de Marte.

Segundo Musk, sua empresa, a SpaceX, assegurou uma maneira de financiá-la adequadamente, que foi um dos grandes mistérios que estão está para ser revelado, tendo em vista o alto custo da empreitada e os riscos que uma série de viagens para o planeta vermelho acarreta. Em sua apresentação, Musk deixou escapar que a mesma nave que levará os primeiros colonos para Marte poderá também ser usada para transportar passageiros de um ponto a outro da Terra, conectando as principais cidades do nosso planeta teoricamente em menos de trinta minutos.

Reutilizar a nave, eis o segredo

Elon Musk já havia afirmado que sua meta era, a fim de possibilitar uma colonização de Marte, que o custo da ‘passagem’ por pessoa fosse progressivamente mais e mais baixo, até atingir um valor comparável ao de uma casa confortável terrestre – segundo ele, algo entre 100.000 e 200.000 dólares. Para conseguir isso, os foguetes espaciais devem ser totalmente reutilizáveis.

No atual formato adotado pela SpaceX, seus foguetes só foram utilizados uma vez, pois se destroem quando reentram na atmosfera da Terra. A SpaceX centralizou seus esforços então na reutilização dos foguetes, e agora conseguiu reutilizar os últimos modelos que lançou ao espaço. No entanto, isso atualmente representa uma taxa de reutilização de apenas 70% do custo total: apenas a primeira fase do foguete é reutilizável, porque a segunda fase, onde há a carga útil – satélites, provisões para a estação orbital, ou uma cápsula com astronautas – ainda não pode ser usada novamente.

Mas no que concerne a Marte, tudo será diferente. O objetivo declarado da empresa norte-americana é reutilizar 100% das peças da nave, de modo que o valor gasto num novo lançamento seja apenas o do custo do combustível, como acontece hoje em dia com aviões. Para reduzir ainda mais os custos, o tamanho da espaçonave que foi originalmente desenvolvida para as viagens a Marte foi substancialmente foi reduzido. A SpaceX planeja concentrar todos os seus recursos no novo formato de foguete e abandonar os modelos que emprega atualmente, o Falcon 9 e o futuro Falcon Heavy, que deve ser posto em operação em 2018.

Técnicos da empresa consideram o novo modelo de foguete tão bom (trata-se, em verdade, do foguete mais poderoso já construído), que permitirá o lançamento de múltiplos satélites em cada viagem ou gadgets de um tamanho nunca visto – até nove metros de diâmetro. O abastacimento de suprimentos para a Estação Espacial Internacional (ISS), que até o momento tem sido feito pelos foguetes Falcon 9, passarão a usar deste novo modelo também, barateando os custos e dando um virtual monopólio no setor para a SpaceX.

Equipamentos em 2022, seres humanos em 2024

A nova nova espacial da SpaceX lembra um antigo ônibus espacial. Musk apelidou a espaçonave com um nome jocoso, como é tradição na empresa: BFR, um acrônimo para palavras inglesas Big Fucking Rocket (‘Foguete Grande pra Caramba’, em uma tradução livre do inglês). A nave terá quarenta cabines de passageiros que poderão transportar até cinco pessoas, embora considerem que é mais indicado que sejam levadas entre duas e três pessoas por cabine. Desta forma, cada passageiro viajará para Marte em uma cabine maior que a de um Airbus A380, o maior avião comercial do mundo.

O foguete usará combustível à base de metano (CH4) e oxigênio (O2), que pode ser criado a partir de CO2 e água. Isso significa que não emitirá CO2 e, portanto, não terá qualquer efeito sobre as mudanças climáticas, um aspecto muito importante para o proprietário das empresas SpaceX e Tesla.

O BFR irá operar automaticamente. Será preenchido de combustível com a ajuda de um foguete auxiliar enquanto estiver em órbita ao redor da Terra, antes de iniciar a viagem interplanetária. A nave contará com quatro motores principais para decolar e para conduzir a carga ou passageiros até Marte, e dois motores secundários para pousar. O projeto liberado à imprensa indica, porém, que esses dois motores sejam redundantes. Se algum deles falhar em qualquer etapa do pouso, a nave poderá aterrissar com segurança com o outro. Ambos os motores e os tanques de combustível já estão em desenvolvimento, segundo Musk.

O magnata norte-americano acrescentou que uma base permanente na Lua poderia ser facilmente estabelecida, aproveitando, de passagem, para dar um cutucão na NASA, ao comentar, durante sua apresentação em Adelaide, que “isso já deveria ter sido feito há algum tempo”. Uma das rotas para o projeto de colonização de Marte estabelecido pela SpaceX é viajar para a Lua e lá construir uma base permanente. No entanto, o principal objetivo de Elon Musk é mesmo chegar a Marte. Nesse sentido, seu plano é pousar dois foguetes BFR no planeta vermelho em 2022, ou seja, dentro de cinco anos, um curto período de tempo – que o proprietário do SpaceX considera muito longo, honrando o seu bem conhecida impaciência. Quando esses primeiros foguetes estiverem em Marte, robôs da empresa entrariam em ação, para encontrar os recursos hídricos e identificar riscos a área de pouso selecionada no planeta vermelho.

A partir daí, a cada dois anos haverá uma janela de lançamento para Marte. A intenção da SpaceX é enviar quatro espaçonaves em 2024. Dois com mais material e provisões, e dois com astronautas, os primeiros humanos a pisar no planeta, que serão responsáveis ​​pela construção da planta de produção de combustível, que empregaria um grande número de painéis solares, bem como água (muito abundante em Marte) e CO2 (componente de 96% da atmosfera de Marte). Em seguida, as bases para a expansão da colônia serão preparadas: mais campos de pouso serão criados e uma verdadeira cidade se expandiria rapidamente com as viagens seguintes.

“Há mais uma coisa”: viagens ao planeta Terra.

Durante a apresentação em Adelaide, Elon Musk imitou Steve Jobs, o fundador da Apple, que com seu mote “Tem mais uma coisa” costumava apresentar novos produtos quando todos pensavam que a apresentação já havia terminado. Com uma imagem do planeta Terra de fundo, Musk disse a icônica frase e mostrou um vídeo que dizia:
“Se a espaçonave BFR pode decolar e pousar em qualquer planeta ou lua do Sistema Solar, por que também não pode fazê-lo no planeta Terra? Isso permitiria viagens com velocidades máximas de 27.000 km/h, nas quais os passageiros viajariam para o espaço e entrariam novamente na atmosfera. Uma viagem de Nova York para Xangai, por exemplo, poderia ser feita em apenas trinta e nove minutos; uma de Londres para Dubai, ou de Londres para Nova York, em vinte e nove minutos. A SpaceX anuncia que os destinos mais comuns podem ser feitos em menos de trinta minutos e podem ser alcançados em qualquer lugar da Terra em menos de uma hora”.

Apesar do alvoroço que tal notícia gerou junto à imprensa mundial, a empresa não comentou mais nada, nem deu qualquer indicação quanto ao preço estimado das passagens para tais viagens ligando as principais cidades terrestres. Uma coisa, contudo, é certa – a nova apresentação demonstrou a determinação de Elon Musk e da SpaceX em construir uma nave espacial que permita viajar de forma rápida e econômica a qualquer lugar do Sistema Solar , começando com o planeta Marte e a Lua e, surpreendentemente, também indo para destinos aqui mesmo em nosso planeta. Os desafios técnicos e econômicos, porém, ainda são muito grandes. A partir do próximo ano, será possível ver se Elon Musk poderá cumprir o que prometeu ou, como aconteceu em mais de uma ocasião, seus projetos tiveram sua execução adiada. Uma coisa fica evidente – parece cada vez mais possível que seres humanos alcancem Marte já na próxima década. É ver para crer.

 

  • Numa primeira fase, poucos colonos e um campo de pouso

  • Sucessivas naves BRF trarão os materiais e a mão de obra necessária

  • Na fase 2, a criação de uma 'fábrica' de água e oxigênio

  • Numa fase 3, mais campos de pouso

  • E na fase final, a vinda de um grande número de colonos para a cidade em Marte de Musk

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América

Fim de semana decisivo para a crise na Venezuela

Com chegada de ajuda humanitária à Venezuela, país se divide entre os que querem e os que não querem esta ajuda

Da Redação, em 15 de fevereiro de 2019
Reprodução/Twitter

Em meio ao impasse político e a divisão de forças na Venezuela, milhares de manifestantes saíram nesta semana às ruas da capital Caracas e de outras cidades do país para para protestar contra e a favor do governo de Nicolás Maduro. As manifestações em favor do presidente Maduro se concentraram principalmente nas ruas de Caracas, como parte da marcha para a celebração do Dia da Juventude e em defesa da soberania da Venezuela.

“Eu quero a paz para a Venezuela, todos queremos paz para a Venezuela. Que os tambores da guerra se afastem, que as ameaças de invasão militar se afastem e que a Venezuela diga em um só coro, com uma só voz: Queremos paz! Queremos felicidade!”, discursou Maduro.

Guaidó chama povo às ruas

Por outro lado, em ruas de outras cidades do país, manifestantes pediam a entrada de ajuda humanitária no país. O presidente autoproclamado, Juan Guaidó, marcou para o próximo dia 23 a data para entrada no país de doações internacionais. Neste dia completará um mês que ele se proclamou presidente da República.

“Um mês depois que nós, venezuelanos, fizermos o juramento, 23 de fevereiro será o dia da ajuda humanitária para entrar na Venezuela. A partir de hoje vamos nos organizar para a maior mobilização da nossa história”, afirmou Guaidó no seu perfil no Twitter.

Guaidó também anunciou que haverá um centro de distribuição de doações em Roraima. O centro faz parte da cooperação coordenada por um gabinete interministerial do Brasil, envolvendo os ministérios da Saúde e da Defesa, e será instalado nos próximos dias.

Rede de voluntários

Para burlar a proibição de Maduro e fazer os remédios e alimentos chegarem efetivamente às mãos dos venezuelanos mais necessitados, o presidente interino está organizando uma grande rede de voluntários.

“Para que a ajuda humanitária entre, precisamos de organização e mobilização. Não há ninguém que possa contra uma maioria organizada”, alertou Guaidó, informando que amanhã, sábado, dia 16 de fevereiro, serão organizados conselhos destinados à organização da ajuda humanitária.
Segundo o venezuelano, no domingo, haverá “acampamentos humanitários itinerantes” em distintos pontos do país. “Tudo o que estamos fazendo é impedir que continuemos a ver os venezuelanos sofrerem. Já basta. É hora de ajudar”, ressaltou nas redes sociais.

O presidente interino da Venezuela disse ainda que haverá mais um centro de distribuição de ajuda humanitária, além de Roraima e Cúcuta, na Colômbia. De passagem por Brasília, a nova embaixadora da Venezuela no Brasil, María Teresa Belandria, disse que há necessidade de alimentos, medicamentos, transporte e logística.

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Medicina

USP desenvolve molécula contra problema cardíaco

Pesquisa paulista tem o potencial de revolucionar o tratamento da insuficiência cardíaca no mundo

Da Redação, em 05 de fevereiro de 2019
Freeimages

Uma molécula desenvolvida no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) poderá aumentar a qualidade e a expectativa de vida das pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca – hoje em torno de cinco anos para grande parte deles. A nova molécula abre caminho para novos medicamentos capazes de frear a evolução da doença de maneira mais eficaz do que os já disponíveis.

Doença que mata milhões

A insuficiência cardíaca é o último estágio de diversas doenças cardiovasculares, enfermidades que mais matam no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que 17,7 milhões de pessoas tenham morrido por doenças cardiovasculares em 2015, representando 31% de todas as mortes em nível global.
A insuficiência cardíaca pode ser causada por um infarto mal tradado, hipertensão, e problemas em alguma válvula do coração.

Novo tratamento revolucionário

A molécula já foram testadas em células cardíacas humanas. Os resultados mostraram que, além de frear o avanço da doença, houve melhora da capacidade dessas células se contraírem. As drogas atuais freiam a progressão da doença, mas nunca fazem com que ela regrida. Ao regular essa interação específica, diminui-se a progressão e ainda traz a doença para um estágio anterior.

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