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Uma viagem ao passado com choro e tudo

Conheça a ‘Feira da Benedito Calixto’, já famosa na capital por sua mistura única de antiguidades, música e diversão

Flavio Rebelo - Pátria Paulista

Na capital paulista há uma praça onde o novo encontra o antigo, em meio a música, curiosidade, comidinhas e muitas diversão. Trata-se da Feira da Benedito Calixto, carinhosamente chamada também de ‘Mercadinho de Pulgas’ – uma alusão às peças mais velhas de vestuário que lá você pode encontrar, dentre muito mais coisas legais. É um passeio obrigatório para quem quer redescobrir objetos da infância, ouvir um Chorinho enquanto devora quitutes caseiros, ou simplesmente passear a esmo pelas centenas de exibidores na praça.

Tudo começou em 1986, com apenas seis barracas: uma de caldo de cana, quatro de móveis antigos e uma de comidinhas baianas. Passados mais de 30 anos, a Praça Benedito Calixto é tomada por 320 expositores, que vendem artesanato, colecionismo, antiquário, brechó, móveis antigos, e muito mais.

Segundo disse ao Pátria Paulista o Coordenador Cultural, Edson Lima, a feira já tornou-se um marco cultural na cidade de São Paulo, recebendo de 8 a 10 mil pessoas, que vêm curtir não só o que é exposto nas barracas, mas também a muvuca gostosa que toma conta do espaço. Gente de todo tipo pode ser vista circulando pelos corredores estreitos por entre as muitas barracas – todas as tribos paulistas estão presentes: há os descolados, os góticos, os nerds, as patricinhas, os geeks, os sarados e os mirrados. Todos têm seu lugar na democrática Feira da Benedito Calixto.

“Todo sábado, centenas de expositores trazem à Feira antiguidades, roupas, móveis, colecionáveis e muito mais”

E se tem tanta gente diferente por lá, é porque tem muita coisa bacana para ver e fazer. Todo sábado, das 9h às 19h, expositores dos mais diversos competem pela atenção dos transeuntes. Numa barraca, louças antigas (daquelas brancas, pintadas com um capricho que não se vê mais); na tenda ao lado, vestidos no estilo indiano. Ande um pouco mais e você esbarra em puro folclore paulista, numa barraca repleta de produtos artesanais de nossa terra. Logo à frente, uma exposição de moedas e medalhas raras e antigas – tem até pins e medalhas da época da Revolução de 32! No corredor ao lado, barracas com centenas e centenas de discos de vinil fazem a festa dos colecionadores; enquanto na tenda seguinte, uma prataria de dar inveja à minha vó brilha, refletindo a luz que teima em entrar por entre as tantas tendas dos expositores.

Mas o passeio não para por aí! Deu uma fominha? Sem problemas – há mais de 20 anos que a Feira da Benedito Calixto conta com uma área de alimentação com diversas barracas. Tem comida para todos os gostos: você poderá se deliciar com alheiras portuguesas, acarajés brasileiros, pastéis de feira tipicamente paulistanos, tempurá japonês e muito mais. E para fechar com chave de ouro, que tal comer uma bela porção de doce caseiro? Na barraca de doces, há mais de uma dezena de doces tipicamente paulistas, com nomes tão inspirados como ‘Papo de Anjo’, ‘Espera Marido’, além dos já tradicionais brigadeiro e ambrosia.

Mas o delírio dos sentidos é maior ainda se você for à área de alimentação da Feira na hora do almoço, pois do meio-dia às 14h, todo sábado há, na praça, uma banda paulista tocando Chorinho. Trata-se do Projeto Cardápio Cultural – uma proposta super legal da AAPBC (Associação dos Amigos da Praça Benedito Calixto, a entidade civil que organiza a Feira), no qual artistas e grupos de Chorinho não muito conhecidos – e, consequentemente, sem espaço fixo para mostrar sua música ao público – dispõem de duas horas para presentear os visitantes da Feira com sua melodia. E comer comidinha caseira ouvindo um Chorinho paulista tocado ao vivo é inesquecível…

“Benedito Calixto, o mestre da pintura que dá nome à Praça da Feira, fez muitos quadros sobre a história paulista”

A paulistude – o sentimento de sentir-se parte do povo e das tradições de São Paulo -está presente não só nas barracas, na musicalidade e mesmo na estrutura profissional e dinâmica da feira. O próprio local em que a feira acontece, a Praça Benedito Calixto, localizada na Zona Oeste da capital, deve seu nome a um dos maiores expoentes da pintura paulista do início do século 20. O pintor Benedito Calixto de Jesus, nascido em 1953,  no município de Itanhaém, litoral sul de São Paulo, foi o que se pode chamar de um talento nato. Autodidata, aperfeiçoou sua técnica de pintura até a maestria, destacando-se por pintar aproximadamente 700 obras, parte delas mostrando momentos marcantes da história paulista.

A Feira da Benedito Calixto merece, com certeza, sua visita. É o tipo de passeio que dá para levar a namorada (ou namorado), o cônjuge, os filhos, os netos, os sobrinhos – até seu cachorro! Não há como não se encantar com o que você pode encontrar nessa Feira cheia de adoráveis bugigangas, antiguidades saudosistas e diversão de primeira.

Para quem quiser saber mais, acesse o Facebook da Feira ou dê um pulinho lá um sábado desses (veja como chegar no mapa abaixo).

  • A feira acontece todos os sábados, das 9h às 19h, na praça Benedito Calixto

  • Localizada na Zona Oeste da capital, fica cheia de barracas aos sábados

  • Há um pouco de tudo na feira, é como viajar no tempo - há coisas muito antigas

  • Tem antiguidades, discos de vinil, louças, roupas e até móveis antigos para ver

  • Os mais descolados também tem seu espaço na Feira, com diversas opções.

  • O legal é vagar pelas mais de 320 barracas na praça sem pressa, curtindo o passeio

  • E de repente até comprar alguma coisa interessante que você tenha visto

  • Há coisas para encantar todos os gostos e idades - um passeio completo

  • Quem curte encontrar coisas raras, lá faz a festa. E o que não falta são histórias.

  • Alguns expositores tem até memorabília (peças colecionáveis) da Revolução de 1932

  • E há ainda apresentações de Chorinho na hora do almoço, das 12h às 14h

  • E para finalizar, que tal comer quitutes e doces irresistíveis?

  • Um universo de sensações te aguarda na Praça Benedito Calixto todo sábado.

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Alita, uma robô com alma

Adaptação de um mangá, Alita é a história de um ciborgue com alma humana, em busca de seu passado

Divulgação/Fox Studio

Já faz um tempo desde que o diretor Robert Rodriguez nos encheu os olhos com espetáculos visuais como seu filme “Sin City”. Após cinco anos de jejum em termos de bons filmes, o cineasta está mostrando sinais de vida novamente. Alita é seu melhor filme, um épico de ficção científica que faz algo raro numa era de adaptações infinitas: faz jus ao seu potencial, deixando aquele gosto de “quero mais”.

Uma adaptação do mangá de Yukito Kishiro, o filme se passa 300 anos após “a queda” – um desses genéricos apocalipses de ficção científica que garantem a grande revelação no final.

Alita é o tipo de filme cujas histórias de fundo se entrelaçam tanto que levam tempo para serem devidamente explicadas, mas a direção segura de Rodriguez faz bem em manter a sua exposição ao mínimo.

Como um cruzamento feminino de Pinóquio e o monstro de Frankenstein, tudo atualizado para a era espacial, Alita é descoberta num ferro-velho pelo Dr. Ido, um cirurgião cibernético com um fraco por criaturas inocentes cujos corpos – biológicos ou mecânicos – falharam. Ao ser encontrada, Alita não consegue dizer quem é ou de onde veio, após ser trazida de volta à vida (ou ser posta online, como queira). O que ela rapidamente percebe, porém, é que ela tem o poder de aniquilar qualquer um que cruze seu caminho.

Essa é uma habilidade útil para se ter na Cidade de Ferro, uma quase distopia que vive sob a longa sombra projetada pela cidade aérea chamada Zalum. Os “proletários” desse futuro distópico são mantidos em terra, na superpovoada metrópole, nunca podendo ascender ao suposto paraíso acima deles – a menos que você seja o último campeão de um esporte absurdamente perigoso, um tal de motorball.

Alita então se põe na lista lista de competidores, que usam mecanismos aprimorados para matar os adversários e se sagrarem vencedores. Com suas vitórias nessa arena, Alita tem a chance de conhecer seu criador, e desvendar o mistério de sua origem, e este filme.

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Nozes, as aliadas da dieta

Quando a “sabedoria popular” não condiz com a verdade – nozes fazem muito bem à saúde

Freeimages

Desde pequenos ouvimos que nozes engordam; que é preciso comer pouco (ou nada) delas, senão o risco para sua saúde pode ser grande; e mais coisas do gênero. Mas o fato é que as nozes são uma categoria de alimentos que ganhou má fama mais por conta do disse-me-disse de gente que acha que sabe do que está falando, do que por seu teor nutritivo e valor alimentar efetivo. É hora de desmistificar as nozes, e é isso que me proponho a fazer neste meu texto de hoje.

Existem certos alimentos em que temos, de fato, um certa dualidade em relação à sua eventual adequação a dietas emagrecedoras. Quando falamos desses tipos de alimentos, é comum ouvir comentários que levam em conta apenas um lado da coisa, não levando em consideração o que a ciência nutricional mais moderna tem a dizer. Para citar alguns exemplos, temos o ovo (cuja polêmica, se “´faz bem” ou “não faz bem” à dieta vou tratar num texto futuro), o leite (já devidamente analisado, em detalhes, na semana passada), e as nozes, sobre as quais tratarei hoje neste texto de minha coluna aqui no Pátria Paulista.

Respondendo logo de sopetão – nozes engordam, afinal? Não, nozes não engordam. Isso de nozes serem super-calóricas é um mito nutricional, algo que não deve ser mais levado em conta por aqueles que queiram fazer uma dieta saudável.

Neste mundo tão antigordura e anticalórico em que vivemos atualmente, as nozes carregam um estigma que dificilmente pode-se relevar. A gente deve reconhecer, porém, que as nozes pertencem a uma gama de produtos que fornecem uma quantidade significativa de lipídios e, portanto, sua ingestão calórica relativamente alta em comparação com outros produtos.
Essa informação gera a desconfiança de boa parte das pessoas que quer emagrecer (e que odeia as gorduras e as calorias a mais).

Uma caloria não é uma caloria

O que é preciso atentar é que, à vezes, ” uma caloria não é uma caloria”, ou seja, que um alto teor de gordura – como têm as nozes – não é sinônimo de maior probabilidade de ganhar peso. Em qualquer caso e antes de começar a enumerar a enorme quantidade de estudos que sustentam essa perspectiva, é necessário definir o que estou chamando de nozes. Quando falo de “nozes”, estou me referindo a sementes secas e naturais de amêndoas, nozes, avelãs, castanha de caju, pistache, pinhão, castanha do Pará, amendoim e assim por diante. E geralmente também se refere ao consumo de frutas secas (passas, figos, ameixas, damascos secos, tâmaras, etc.). Por nozes também quero deixar claro que não estou me referindo a versões saldadas, fritas ou cobertas com caramelo e açúcares artificiais, mas sim às sementes em seu estado natural.

Estudos defendem as nozes

Num interessante estudo internacional, mais de 50 mil mulheres, entre 25 e 45 anos de idade, tiveram suas variações de peso anotadas e acompanhadas por mais de 8 anos, com especial atenção ao seu consumo de nozes. O que se observou com a pesquisa é que um maior consumo desse alimento foi associado a um menor risco de aumento de peso e que, longe de ser vistas com suspeita, as nozes poderiam ser consideradas mais como uma ferramenta para o controle de problemas de peso do que como um perigo. A conclusão desse estudo foi que um maior consumo de nozes foi associado a um menor ganho de peso após estes 8 anos, bem como um risco menor de sobrepeso ou obesidade. Ou seja, aqueles que mais consumiam nozes em sua dieta habitual apresentaram menor prevalência de obesidade em comparação com aqueles que os consumiam com menor frequência.

Existem inúmeros estudos com resultados semelhantes que mostraram claramente que consumo de nozes não foi associado a um aumento do risco de ganho de peso em estudos epidemiológicos de longo prazo ou em ensaios clínicos.

É lógico imaginar que o consumo de algo como nozes, que têm muitos lipídios e, portanto, muitas calorias, esteja relacionado ao risco da obesidade. Faz sentido. Mas o ponto é que as nozes contribuem para uma sensação de saciedade. Isto quer dizer que a comer uma pequena quantidade de nozes, você não sente mais fome.

Ajudando a flora intestinal

Mas há outro efeito, mais interessante, das nozes no nosso organismo: elas promovem o crescimento de cepas bacterianas que dentro de nossa flora intestinal têm um papel proeminente no controle de problemas de peso.
No fim das contas, nozes são extremamente saudáveis, e são grandes aliadas de sua dieta, por conta de sua riqueza em fibras solúveis a partir das quais se revela o seu efeito junto à sua flora intestinal.

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Sobre o Autor

Pedro Lucas

Pedro Lucas

"Mais do que um turista, um viajante" - assim se define Pedro Lucas, morador de São Caetano, professor de artes marciais, escritor ocasional, e colunista quinzenal de turismo paulista no portal

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